É preciso compreender que já basta e tomar as raízes do processo político! A Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas termina no mesmo clima em que começou: promessas de chegada num futuro possível sem partida justa, andando a passos lentos num processo de morte. Isso é obra do indivíduo soberbo mentindo em palco de eventos frouxos. Na marcha de retrocesso contínuo do fim, os documentos da COP não conseguem representar a força concreta das ruas, das diversas vozes afetadas pelas causas e pelas consequências das mudanças climáticas.

Na manhã de hoje, sábado (13), ficou explícito o chamado para “ser mais ambicioso ano que vem”. Mas se medimos o êxito da COP pelas palavras bonitas dos documentos, grande parte dos problemas já estariam resolvidos. É bonito encontrar no documento que “incentivamos as entidades operacionais do Mecanismo Financeiro, entidades das Nações Unidas e organizações intergovernamentais e outras instituições bilaterais e multilaterais, incluindo organizações não governamentais e fontes privadas, a fornecer apoio aprimorado e adicional para atividades que tratam de perdas e danos associados ao efeitos adversos das mudanças climáticas”. 

Enquanto o papel aceitar tudo, será difícil dar seguimento e implementar as intenções através das diversas políticas nacionais em governos liberais e fascistas sem a participação da sociedade civil organizada e, principalmente, as pessoas e territórios já mais afetados pelas mudanças climáticas.

Nossos sonhos nos levam a realizar o impossível! As inúmeras denúncias, protestos e estratégias para ocupar os espaços de debate nas últimas duas semanas – e antes nos nossos territórios – levaram os líderes a reconhecer a necessidade de garantir transições justas que promovam o desenvolvimento sustentável e a erradicação da pobreza, assim como a criação de trabalho decente e empregos de qualidade, inclusive tornando os fluxos financeiros consistentes com um caminho para a baixa emissão de gases de efeito estufa e desenvolvimento resiliente ao clima. 

Sem dúvida, as juventudes negras e indígenas da América Latina e da África deixaram um ponto de inflexão nas discussões. Levaram o Presidente da COP26, Alok Sharma, enfatizou na terceira minuta do documento o papel importante da cultura e do conhecimento dos povos indígenas e das comunidades locais na ação eficaz sobre a mudança climática e impulsiona os países  a envolverem ativamente os povos indígenas e comunidades locais na concepção e implementação da ação climática e se engajar no segundo plano de trabalho de três anos para implementação das funções da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas, para 2022–2024. Isso basta? Não.

É preciso financiamento para organizações e ativistas climáticos, pois os líderes de hoje, criados em base colonialista, não podem elevar a humanidade acima da luta por sobrevivência. Não temos mais tempo de convencer quem devasta, extrai e mata. É preciso reflorestar a política! No Brasil, as eleições de 2022 têm o dever histórico de demonstrar nas urnas a potência dos povos originários, das populações negras, das mulheres, das periferias. Não é identitarismo. É cultura, identidade, cultivo da vida. A reinvenção do planeta passa por refundar a democracia e retomar a sabedoria das práticas ancestrais na tomada de decisões. 

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