Enquanto não podemos ocupar as ruas e retomar a esperança em nosso país, rompemos o isolamento geográfico nos aproximando virtualmente. Nos últimos cinco meses comunidades se formaram, distâncias se encurtaram e a cultura, a arte e a música continuam na luta pela democracia.

Sonia Guajajaras, Majur, Anitta, Lelle, Babu Santana, Wagner Moura, Mateus Naschtergalle, Fábio Assunção, Paulo Miklos e outros nomes se uniram à Detonautas num manifesto, a #CartaAoFuturo. Os trechos narrados por cada personalidade são a composição do próximo single da banda que sai na sexta-feira (14) com um clipe em animação. O vídeo foi postado com exclusividade no Instagram da Mídia NINJA.

São palavras que confrontam a omissão de quem se isenta, permitindo o avanço da intolerância e do preconceito. A indiferença do poder que cada vez mais concentrado faz vítimas nas favelas, na periferia e nas aldeias. Seja com uma bala de ‘pacificação’, a invasão de terras ou com a falta de acesso à saúde que aumenta a letalidade de um vírus, a necropolítica precisa ser combatida. E não será de outra forma senão coletivamente.

É este o recado de Tico Santa Cruz para o momento, o compositor já rompeu outras vezes a barreira dos rádios e da grande mídia com verdadeiros manifestos, inspirando revolução. E com a mesma facilidade que escreve ‘Fica Bem’ e outras canções de amor, sobe o tom e representa o poder popular acompanhado de Phill, Macca, Renato Rocha, Fábio Brasil e DJ Cléston.

Um grito que expressa tudo o que sentimos.

“Hoje eu acordei com o vento explodindo na minha janela, eu tentei sair do quarto num silêncio de capela.
Só queria ter um tempo pra pensar sem compromisso, nessa sua isenção que é o abrigo dos omissos.
Lá fora os homens seguem se matando, uns por dinheiro, outros por um pedaço de pão.
Afinidades entre a cruz que mata em nome de deus e a espada que estraçalha o amor na mão dos irmãos.
Não me assusta, mas me esclarece, despreza a ciência, faz uma prece.
Esconde a mão manchada do sangue do corpo dos inocentes.
Vocês são Joaquim Silvério dos Reis, nós somos Tiradentes.
Ouvi um grito vindo lá do beco escuro, de uma criança sem pai, perdida e sem futuro.
Sem olhos lacrimejavam o desespero de alguém que sabe que será abatido, invisível e nada além.
Quantas histórias assim ficarão no caminho, num cemitério de ideias me vi sozinho.
Se eu sou canção sem refrão, que fica na cabeça, não interessa, sigo firme e forte, eu tenho pressa.
Amanheceu um novo dia e tudo é sempre igual.
Um looping eterno de notícias tristes no jornal.
Amanheceu um novo dia e tudo é sempre igual.
Um looping eterno de notícias tristes no jornal.
Mentiras e verdades que confundem o cidadão de bem.
Eu sei quem é quem, eu sei quem é quem.
O indiferente não se importa, ele só quer o poder. Fará o possível e o impossível para sobreviver.
Como um inseto pestilento em reprodução, fatia o bolo entre a família sem preocupação.
E pra encerrar, a minha carta não é um lamento.
É o aviso ao futuro de um novo tempo, a corte cairá, não sobrara ninguém.
O tempo ruim vai passar, do pai, do filho e do espírito santo, amém”.

 

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