Som Indica: Vulnerável, Ludom ressurge transformada em novo disco
Ludom inicia nova fase com o lançamento de seu segundo álbum de estúdio.
por Giulia Reis
Debaixo de todas as camadas, o sentimento nu e cru é o que resta em meio à vulnerabilidade. E é justamente essa sensação que permeia a escuta do disco Ludom. Sem medo de falar sobre o que quer e do que precisa, Ludom ressurge com a leveza e a sutileza de sempre, agora atravessadas por suas vivências.
O novo disco se apresenta como um processo terapêutico que liberta a artista das amarras e a expõe de forma fiel à sua existência, independente de qualquer força exterior. Sete anos após o disco de estreia, Liberte Esse Banzo, em uma nova fase, Luciane Dom passa a ser Ludom e lança uma obra autointitulada.
Ainda que, em um primeiro momento, seja a leveza que nos conduza, ao olhar mais atento compreendemos que Ludom fala de questões que transpassam o íntimo. Em uma sonoridade pop marcada por elementos afro-diaspóricos e fortes influências de neo soul, R&B, MPB e Afrobeat, a cantora inicia a obra convidando o público a mergulhar em muito groove e melodias suaves. Ao desvelar suas camadas, reflete sobre dilemas, amores, saúde mental e questões sociais. Em faixas atravessadas pela dualidade — e, por vezes, por significados distintos para o público e para a própria artista — Ludom tece sua narrativa.

O gosto pela música surgiu ainda na infância, a partir dos discos de vinil de seu pai, nos quais se aventurava, ao lado das irmãs, a abrir e dobrar a voz. Já mais crescida, a cantora, natural de Paraíba do Sul, passou a cantar na igreja e a se apresentar em festivais de sua cidade e dos arredores. A mudança para o Rio de Janeiro e o ingresso na faculdade de História da UERJ — Universidade do Estado do Rio de Janeiro — marcaram um momento-chave de transição. Foi nesse período que Ludom tomou gosto definitivo pelo palco.
Ainda na faculdade, a bolsa de pesquisa que recebia foi suficiente para custear o lançamento de seu primeiro disco, Liberte Esse Banzo, que, mesmo com poucos recursos, repercutiu internacionalmente e abriu portas para uma turnê e uma imersão musical nos Estados Unidos. Cidadã do mundo, entre a música e projetos educacionais e culturais, Ludom manteve vivo o desejo de lançar um novo disco em meio à correria da vida.
Pensado entre Canadá, França e Colômbia, e amarrado e finalizado no Brasil, o álbum reflete uma ampla diversidade sonora. Se inicia seguindo um determinado caminho estético, mas termina apontando para novos horizontes, revelando a versatilidade da cantora. A faixa de encerramento, “Rosa de Lótus”, chega a flertar com o rock.
Ao se entender como um corpo político, Ludom não deixa de escrever e cantar sobre tudo aquilo que a incomoda e a atravessa. “Eu Vi na TV” e “As Coisas São” ganham dimensão de críticas sociais. Com uma audiência espalhada pelo mundo, de forma natural, a artista apresenta no álbum composições inteiramente em inglês. A única parceria do disco é “As Coisas São”, com Bia Ferreira, que imprime à faixa a força do rap-manifesto que ela pedia.
Lançado pelo selo Toca Discos — nascido no lendário estúdio carioca Toca do Bandido — o álbum está disponível em todas as plataformas de áudio.



