Segunda Marcha do Orgulho Antifascista: uma resposta coletiva que cresce da Argentina para a América Latina
A dez anos da morte da ativista trans Lohana Berkins, neste sábado, 7 de fevereiro, será realizada a Segunda Marcha do Orgulho Antifascista e Antirracista na Argentina. Uma mobilização que reúne memória, denúncia e esperança diante das políticas de Javier Milei.
Hoje, 7 de fevereiro, será realizada a Segunda Marcha Federal do Orgulho Antifascista, Antirracista e Anti-imperialista na Argentina. A mobilização, que teve sua primeira edição em 2025 como reação aos discursos estigmatizantes do presidente Javier Milei no Fórum de Davos, consolida-se este ano como uma expressão massiva de repúdio às políticas de ódio, exclusão e violência institucional.
A concentração principal acontecerá na Cidade de Buenos Aires, mas já foram confirmadas cerca de 30 réplicas em diferentes províncias do país, demonstrando uma crescente articulação federal entre organizações feministas, transfeministas, afrodescendentes, indígenas, sindicais e de direitos humanos. A marcha também coincide com o décimo aniversário da morte de Lohana Berkins, histórica referência travesti e símbolo da luta pelo reconhecimento das dissidências sexuais no Sul Global.
“A marcha é necessária porque estamos diante de um governo que legitima a crueldade, reativa o racismo e transforma a desumanização em política”, afirmou a jornalista e ativista Marta Dillon, que participará da mobilização. O ato também resgata as palavras de Susy Shock, cantora e poeta travesti: “Marchamos porque nossas mortas querem que marchemos”, em referência às lutas históricas dos movimentos que hoje se reorganizam frente a um cenário de retrocessos de direitos.

Foto: Agencia Presentes
Do movimento afro-argentino, Federico Pita, presidente da DIAFAR, destacou: “Hoje, o fascismo na Argentina se expressa no descarte planejado, na criminalização da pobreza, na repressão aos povos originários e às pessoas migrantes. Marchamos porque não vamos permitir que esse ódio se normalize”. Para ele, a grande questão é saber se a política institucional estará à altura do movimento popular que cresce nas ruas.
Esse processo não é exclusivo da Argentina. Em diversos países da América Latina, movimentos sociais, feministas e dissidentes enfrentam políticas semelhantes que promovem ajustes econômicos, repressão social e criminalização do protesto. Nesse contexto, a marcha do 7F se projeta não apenas como uma resposta local, mas como parte de uma rede continental de resistências diante do avanço de governos autoritários, neoliberais e negacionistas.
Longe de ser uma manifestação isolada, a Segunda Marcha Federal do Orgulho Antifascista representa uma aposta na reconstrução do tecido social a partir da base, com memória, organização e compromisso coletivo. Frente ao medo, ao descarte e à violência, milhares voltarão a ocupar o espaço público com uma mensagem clara: o orgulho também é luta.



