1% mais rico gerou mais calor que 65% da população mundial. Graças aos milionários, 2023 será o ano mais quente em 125 mil anos. A desigualdade e o excesso de riqueza estão na raiz do descontrole climático e da explosão na mortalidade associada ao clima. O dinheiro que falta para reduzir a vulnerabilidade e acelerar a transição tem que vir imediatamente do bolso dos ricos.

PROTEJA-SE: CALOR MATA

2023 será o ano mais quente dos últimos 125 mil anos. Pela primeira vez na História, a temperatura média do planeta superou em mais de 2ºC os níveis da era pré-industrial, conforme divulgado pelo Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus (C3S), da União Europeia (UE). Diante dessa merda toda, antes de tudo: PROTEJA-SE!

O cuidado com crianças e idosos deve ser redobrado, posto que são os mais vulneráveis. Mas ninguém está imune aos efeitos letais do calor extremo. Segundo a OMS o calor já mata mais de 15 milhões de pessoas por ano. Que a perda trágica e lamentável da estudante Ana Clara Benevides, de 23 anos, no show da cantora Taylor Swift, nos comova e nos mova na direção de atitudes mais responsáveis diante da explosão global na mortalidade associada ao clima. Nessa catástrofe que avança, a última década já registrou um aumento de 15 vezes no número de mortes decorrentes de enchentes, secas e demais fenômenos climáticos em áreas vulneráveis onde vive metade da população mundial, conforme alerta o IPCC – Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas da ONU, em seu Sexto Relatório de Avaliação.

NÃO É A POBREZA, É A RIQUEZA QUE MATA NA CRISE CLIMÁTICA

Diferente do que muita gente pensa, na emergência climática que atingiu seu ápice e cuja gravidade é cada vez maior, não é a pobreza que mata, mas a riqueza. O excesso de riqueza associado à extrema desigualdade que só cresceu no mundo estão na raiz do desastre climático em curso.

Em seu último relatório Igualdade Climática: um Planeta para os 99%, a OXFAM mostra como o colapso climático e a extrema desigualdade são os dois principais desafios do mundo hoje e não são crises separadas. Uma se alimenta da outra, beneficiando um pequeno grupo de bilionários, enquanto a imensa maioria da população global sofre as consequências da destruição do equilíbrio ambiental, social e econômico do planeta. O enfrentamento das crises climática e de extrema desigualdade precisa responsabilizar quem lucra com a destruição ambiental, fazendo com que paguem para limpar os estragos e financiar a transição energética que o mundo precisa. Não é justo que os inocentes paguem com a própria vida a ganância e a desumana fome de dinheiro de uns poucos milionários que pilotam essa missão suicida em que o planeta foi embarcado.

São as pessoas, as empresas e os países com excesso de riqueza que estão destruindo a Terra com suas enormes emissões de gases de efeito estufa. O papel e a responsabilidade dos países do Norte Global na crise climática estão bem documentados. Os países classificados pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC, sigla em inglês) no Anexo 1, ou seja, a maioria dos países industrializados, devido ao seu histórico e passado frequentemente colonial, foram considerados os responsáveis por 90% do excesso de emissões – os países do Norte Global, especificamente, por 92%. Para além do 1% mais rico, os 10% mais ricos também são fundamentais para a história do clima, emitindo em conjunto metade de todas as emissões globais. Entre as emissões dos 10% no topo global, 60% são oriundas de países de alta renda.

Ao mesmo tempo, as pessoas que vivem na pobreza, que sofrem marginalização e os países do Sul Global são os mais afetados. Mulheres e meninas, Povos Indígenas, Comunidades Tradicionais, pessoas que vivem nas favelas e periferias, além de serem vítimas de discriminação, sofrem a vulnerabilidade e estão particularmente em desvantagem para enfrentar a emergência climática.

Falta investimento para acelerar a transição das fontes de energia. Falta investimento para reduzir drasticamente a emissão dos gases de efeito estufa. Falta investimento para a adaptação às mudanças, para aumentar a resiliência e para diminuir a vulnerabilidade. Em suma, falta investimento climático enquanto a farra dos mercados financeiros, das empresas produtoras de petróleo e dos bilionários do mundo continua correndo solta e empurrando a Terra pro inferno.

Quem antes ofereceu o imperialismo, o colonialismo e a escravidão, agora oferece injustiça climática às maiorias do mundo, aos povos que eles vieram explorando ao longo dos séculos. Uma mudança radical é urgente!

DESCARBONIZAÇÃO E DESFINANCEIRIZAÇÃO JÁ!

Em termos de clima, é tudo pra ontem. A redução da emissão dos gases de efeito estufa precisa ocorrer de forma drástica, imediata e contínua. Ao mesmo tempo, é preciso reduzir urgentemente a vulnerabilidade de quase metade da população mundial. Se não forem tomadas medidas imediatas e agressivas, os mais ricos continuarão a queimar combustíveis fósseis, empurrando a Terra para bem longe do limite de 1,5°C, que já não é seguro para todos, anulando qualquer possibilidade de reduzir a ebulição que abala o planeta.

O mundo precisa de uma transformação igualitária e urgente. Só uma redução radical da desigualdade, com uma ação climática transformadora e uma mudança fundamental nos objetivos econômicos como sociedade podem salvar o planeta e, ao mesmo tempo, garantir uma sociedade mais justa e solidária.

Além de descarbonizar a economia é fundamental que medidas para a desfinanceirização dos mercados e a reinvenção do sistema de crédito mundial sejam tomadas. O dinheiro que alimenta o próprio dinheiro é também o dinheiro que falta para a transformação climática que deve nortear o sistema de crédito e os fluxos financeiros do planeta. Os ricos causaram a crise. O dinheiro resultante da destruição da biodiversidade e da estabilidade climática deve ser imediatamente disponibilizado para impedir o avanço da missão suicida que o necrocapitalismo embarcou a Terra. Os pobres não podem pagar essa conta, nem morrer em consequência do crime e da irresponsabilidade socioambiental dos ricos.

Não é hora de cruzar os braços. Mas só reclamar do calor não adianta. A hora é de ação climática já! Nossa ação climática é o único caminho para salvar-nos coletivamente do apocalipse climático. Precisamos falar de clima e precisamos agir imediatamente e continuamente até virar o jogo, por justiça climática e por uma transição que seja igualitária e justa para todos os povos da Terra. A luta está só começando…

AÇÃO CLIMÁTICA JÁ: CLÍMAX NOW

Por tudo isso, a Mídia NINJA e a Casa NINJA Amazônia realizarão entre os dia 24 e 27 o CLÍMAX – ENCONTRO DE CULTURA, COMUNICAÇÃO E CLIMA que vai reunir convidados de todo Brasil para o debate e a construção da AÇÃO CLIMÁTICA que podemos e devemos realizar juntos. Participe: https://midianinja.org/climax/

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