O mês de março abre o calendário de lutas no Brasil, compondo um mosaico de temas que vão desde o dia internacional das mulheres, as manifestações de justiça por Marielle Franco e os 21 dias de ativismo contra o racismo – que  transpassam o mês inteiro até 21 de março, dia internacional de luta contra discriminação racial.

Na perspectiva das lutas, é o mês de março que guarda, impulsiona e potencializa a luta internacional das mulheres. Neste ano,  as mulheres, em especial mulheres negras, indígenas e pobres, que mobilizam a esfera do trabalho do cuidado, estão na linha de frente do combate à pandemia do Coronavírus. São mulheres lideranças políticas, de movimentos sociais, de sindicatos que hoje estão à frente das lutas por auxílio emergencial, vacina para todos e pelo Fora Bolsonaro.

Março é também o mês em que Marielle Franco foi alvo de um brutal feminicídio político, ainda sem respostas. E por isso continuamos a lutar por justiça e perguntar: “Quem mandou matar Marielle Franco e Anderson Gomes?”. As atividades referentes ao dia 14 de março se transforam em um importante marco de lutas para o movimento negro brasileiro, que tem se utilizado dos diversos mecanismo de luta para barrar a barbárie politica e social que se aprofunda. Neste bojo, soma-se a campanha dos 21 dias de ativismo contra o racismo, que tem papel fundamental não só no processo pedagógico sobre o racismo, mas também no fortalecimento e no enfrentamento das lutas raciais no nosso país.

A luta antirracista é ampla e diversa, e lutar contra o racismo estrutural e a politica de morte que nos condiciona à séculos é lutar contra a política econômica vigente, que desmonta o Estado a passos largos. Precisamos enfrentar retrocessos como a Emenda Constitucional 95, que congelou gastos sociais por 20 anos; a reforma previdenciária e trabalhista, que precarizou as relações de trabalho; e lutar pela garantia de um renda básica para todos aqueles que encontram no Estado a sua única possibilidade de sobrevivência.

Bolsonaro já apontou para o caminho que vai seguir até as eleições, justamente o oposto ao das nossas trincheiras. Seguiremos nas lutas com nossos princípios e ideais, sem sentar à mesa com aqueles que negociam a nossas vidas, que vilipendiam nossos corpos e que acabam com o nosso futuro. As perspectivas nos apontam para um futuro de batalhas, único caminho possível para aquilo que nos diz respeito. Por isso não devemos ter medo da complexidade, devemos olhar para trás e para todos os passos trilhados por aqueles e aquelas que um dia ousaram sonhar com a liberdade.

É com essa mesma ousadia que devemos sonhar com um futuro melhor para os nossos, potencializando as resistências, criando alternativas e construindo uma revolução solidária e ancestral. Como disse Pedro Tierra:

Nada causa mais horror à ordem
do que homens e mulheres que sonham.
Nós sonhamos.
E organizamos o sonho.

Que o mês de março siga abrindo caminho para nossas lutas, utopias, e, em especial, para organização coletiva dos nossos sonhos!

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