Por Renata Souza e Juliana Drummond

Nosso tempo presente carece de rever seu passado para dar às suas grandes referências o seu devido lugar. Não foi um general que nos colocou visíveis ao mundo, mas um educador, um educador popular. Sua história foi marcada pela (pre)ocupação em educar as massas, mas não como quem olha de cima e apresenta um projeto que se impõe aos debaixo. Seu modo de ensinar e aprender se apresentava em forma de troca, por meio de uma pedagogia da esperança e dos oprimidos.

Sua maior batalha foi contra a desinformação, mas a desinformação de não saber ler a vida. Seu feito mais marcante foi o de Angicos, uma pequena cidade no interior do Rio Grande do Norte. Foi lá que ele alfabetizou, em quarenta horas, 380 adultos trabalhadores, homens e mulheres, trabalhadores do campo e da cidade, juntos e juntas aprendendo a ler o mundo à sua volta. Foi ali que a educação mostrou seu poder revolucionário, em 1963. Nesse mesmo ano, nessa mesma cidade, essas trabalhadoras e trabalhadores fizeram sua primeira greve.

Seu pensamento para a educação era revolucionário por compreender que educação se faz nas relações entre iguais, onde educador e educando horizontalmente trocam experiências, onde todo mundo aprende alguma coisa e dialogar é a ação de maior expressão. Ele não ensinava apenas a escrever “TIJOLO”, mas que moradia digna é direito de todos. Ele ensinava a lutar, organizar e esperançar pela libertação. 

Suas obras são um mapa de seu crescimento e de sua contribuição para a humanidade. Desde “Educação como Prática da Liberdade” até “Os cristãos e a libertação dos oprimidos”, a educação sempre foi compreendida como parte de um processo histórico e totalmente enraizado na vida real das pessoas. Autonomia, esperança, opressão, consciência, liberdade…não são apenas palavras, não são vazias de sentido. Tudo está ligado à ação de transformar pessoas para transformar o mundo.

Quando se vem da favela ou da periferia, seja ela na Maré ou em São João de Meriti, a educação não pode ser vista apenas como reconhecer as letras do alfabeto. Palavras não são um amontoado de letras, mas de sentidos. Preto não é cor e se for preta então é raça, no sentido de força e resistência. As palavras não vêm dos livros, eles apenas as registram. As palavras estão na vida das mulheres que criam seus filhos sozinhas e que vêem na escola e numa educação libertadora uma chance de mudar suas histórias.

Se vivo estivesse, Paulo Freire estaria completando 100 anos e muito mais teria produzido de um pensamento, de uma pedagogia que se faz solidária por ser partilhada entre iguais, que se faz “ubuntu”, sou porque somos. 

Educar é um ato solidário e revolucionário.

Viva Paulo Freire! Viva a Educação Popular!

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