Foto: Divulgação / Science4you

Olá a todes! É com enorme alegria e gratidão que inauguro este espaço de troca neste lindo projeto Coluninjastech. Pretendo compartilhar conhecimento acumulado nos últimos dez anos e atualizado em meu trabalho como empreendedora tecnológica, mentora e ativista em tecnologia, pesquisadora, doutoranda e consultora sobre feminismo,Tecnologia da Informação (TI), inovação e todo o universo que envolve estas temáticas! Como jornalista e acadêmica, pretendo entregar a você este conteúdo na forma de entrevistas, artigos e reportagens. Desde já conto com sua participação sugerindo temas!

Para minha estreia, escolhi falar sobre um projeto relacionado à promoção da inclusão educação em STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) na infância; brinquedos são concebidos, promovidos e vendidos sem distinção de gênero. A Science4you é uma empresa portuguesa criada há 12 anos, presente em 45 países (entre eles Brasil, Estados Unidos, Japão, Moçambique, Reino Unido, Espanha, França, Grécia, Polónia, Itália, Canadá e Austrália). É responsável por estes produtos, voltados ao desenvolvimento da concentração, memória, raciocínio, aprendizagem, habilidades sociais e manuais enquanto os pequenos brincam e se divertem. Todos os brinquedos Science4you incluem um livro educativo que apresenta, com ilustrações, conteúdos educativos sobre o tema do brinquedo e propõe a realização de experiências.

Filipe Silveira Silva é Head of Growth da Science4you, onde trabalha há mais de seis anos. Nesta entrevista exclusiva, o executivo apresenta o conceito por trás do desenvolvimento brinquedos inclusivos em TI.

1 – A Science4you desenvolve brinquedos para crianças os quais despertam o interesse pela ciência sem distinção de gênero. Por que esta foi uma opção de negócio para empresa? De onde veio esta inspiração?

Na verdade não houve “romantismo” nem um momento inspiracional, tal como se ouve em muitas histórias de empreendedorismo. A Science4you nasce de um projeto acadêmico, gerado a partir do sorteio do projeto de final de curso em que o papelinho retirado de um saco, tinha as seguintes palavras “kits de física”. Foi a partir daqui que tudo se começou a desenvolver e, à medida que o plano de negócios foi sendo desenvolvido pelos alunos que compunham este grupo, foi ficando claro que o projeto tinha algo que talvez pudesse passar do papel para a realidade empresarial. E foi isso mesmo que um dos alunos, Miguel Pina Martins, fez quase 1 ano depois de já ter iniciado a sua carreira profissional na Banca de Investimento, largando tudo e retomou o projeto de faculdade “kits de física”. Nesse momento, deu-lhe o nome de Science4you, e definiu como missão, melhorar os níveis de educação na sociedade através do desenvolvimento de brinquedos que permitissem às crianças, independentemente do gênero, aprender enquanto brincavam.

Filipe Silveira Silva é Head of Growth da Science4you

2 – Como ocorre o desenvolvimento de um brinquedo que é equânime em termos de gênero (funcionalidades, design, escolha de cores etc) desde a ideia à materialização em produto final? De onde vem a inspiração para ações inovadoras da empresa?

A empresa vive muito da capacidade do Departamento da Inovação, composto por 16 pessoas. E na inovação e criatividade, por muitas metodologias que se possam implementar, o mais importante é ´estar atento´. E quando estamos muito atentos conseguimos perceber dois movimentos: (i) o que funciona/está validado pelo mercado e (ii) o que vai funcionar/irá ser validado pelo mercado a médio/longo prazo. Colocado assim, parece simples, mas não é! A Science4you está em constantes brainstormings internos e externos (clientes, parceiros, fornecedores, etc), a marcar presenças nas principais feiras de brinquedos do mundo, a analisar dados do mercado (brinquedos e não só), testar conceitos junto dos seus consumidores, etc. Só depois de todo este trabalho, o conceito e, só depois de passar pelas sete fases do produto,  é transformado em brinquedo.

3 – Como classificaria ou identificaria os brinquedos da Science4you? Seriam brinquedos para incentivar meninos e meninas a despertarem a curiosidade pela ciência e tecnologia, ou algo que realmente esteja voltado à formação profissional desde a infância?

Na Science4you pensamos muito neste ponto! Queremos inspirar os cientistas, astronautas e os engenheiros (etc.) do “amanhã”. E, para que tal aconteça, precisamos que os princípios básicos da ciência sejam explicados através de uma linguagem simples o mais prematuramente possível. É isto que tentamos fazer nos nossos brinquedos. A partir do momento em que as ciências ficam menos abstractas, as bases para um percurso escolar / acadêmico de sucesso, estão feitas.

Foto: Divulgação / Science4you

4 – Um dos grandes diferenciais em termos de inovação da Science4you é também vender os brinquedos pensando em gerar identificação junto às meninas ao escolher modelos femininos infantis para posarem para as fotos de brinquedos. Para além desta iniciativa, quais são as outras ações de pesquisa, desenvolvimento, marketing e venda diferenciados da empresa no sentido de despertarem o mesmo interesse entre meninos e meninas?

A Science4you desenvolve e produz brinquedos para meninos e meninas e tenta não fazer qualquer tipo de diferenciação de gênero, pois isso é algo que não existe por muito que a sociedade tente impor certos padrões. Fazemo-lo através das imagens, cores, fotografias e textos. Das nossas análises, percebemos que os pais procuram conceitos para meninas que historicamente sempre foram “apresentados e comunicados” para meninos (ex: engenharia e espaço). Tal como disse acima, é preciso estar atento e nós demos esse passo há vários anos.

5 – Poderia falar sobre a evolução da Science4you nos últimos anos em termos de prêmios, resultados em vendas, impacto junto a educadores e formadores de opinião? Os produtos podem ser adquiridos de que forma?

Temos tido um crescimento bastante interessante ao longo dos seus 12 anos de existência. Ao longo desta viagem, a Science4you passou de um projeto de final de curso, para uma marca de referência de brinquedos científicos e educativos contando já com presença em mais de 45 países. Nestes países, podem encontrar os nossos brinquedos, em layout Science4you ou em private label, nos principais retalhistas e/ou especialistas. Além deste lado comercial, sabemos também que os nossos brinquedos estão em muitas salas de aula em Portugal (e não só) e servem de referência e base em certas matérias curriculares.

6 – A Science4you realiza algum tipo de pesquisa de mercado junto a pais, professores e crianças para promoção de inclusão digital e educacional por igual entre meninos e meninas? Caso sim, como ocorre?

Realizamos muitos estudos de mercado informais, junto dos pais e das crianças, porque temos um canal de aniversários e campos de férias científicas que utilizamos para perceber as nossas crianças e os seus pais. É aqui que muitas vezes avaliamos os nossos conceitos e alguns dos conteúdos dos nossos brinquedos. Nestes espaços fazemos a nossa parte e asseguramos que os conceitos científicos que explicamos de forma lúdica são feitos de forma igualitária.

7 – Para além da oferta de brinquedos, há novos portfólios de produtos a serem lançados em breve relacionados à formação infantil em ciência? Seguindo nesta linha, alguns deles estão voltados à meninas em tecnologia, dentro de um universo de programação, por exemplo?

Todos os anos são lançados cerca de 20 novos brinquedos educativos e científicos, sempre dentro da linha STEAM (Science, Technology, Engineering, Art, Math) que serve de matriz a tudo o que fazemos. Totalmente voltados às meninas, diria que não. Mas teremos brinquedos de tecnologia e de missões espaciais que irão também desafiar as meninas através do packaging e do play role criado nestes brinquedos.

Foto: Divulgação / Science4you

8 – Qual é sua função na empresa? É sua primeira experiência em trabalhar em algo voltado à diversidade e inclusão? Tem filhos? Caso sim, envolve-os neste espírito lúdico de aprender ciência de uma maneira igualitária?

Sou o responsável pela Inovação da Empresa. Este macro departamento junta 4 equipas: Marketing, R+D, Regulatory e Design. Sem dúvida, estive durante 6 anos numa consultora multinacional e desde 2014 que estou na Science4you, nesta experiência educacional e de inclusão. Tenho 1 filha e por esse motivo estou (ainda) mais atento à forma como ensino e as oportunidades acadêmicas/ profissionais científicas estão a fazer esta transformação. Enquanto pai de uma menina tento levá-la para uma dimensão de ensino, em que os temas lúdicos não estejam compartimentados.

9 – Em sua visão, o que representa a inclusão de meninas e mulheres em tecnologia? Quais foram os principais avanços e quais são os maiores desafios?

Felizmente há cada vez mais um espírito igualitário no ensino científico e tecnológico. Mas estamos ainda a recuperar de um fosso cultural criado ao longo dos últimos séculos (ou será desde sempre?). Este fosso ainda se evidencia em muitas áreas como as engenharias aeroespacial, física e  informática.

A sociedade e os media precisam de manter este tema em discussão nos principais fóruns e jornais, mas precisam também de apresentar/mostrar as histórias de sucesso, as novas heroínas e as novas role model da Ciência que as meninas de hoje deveriam querer seguir  Este será o maior desafio numa era em que a imagem (e o seu respectivo culto) e o que é efêmero, ganham cada vez mais espaço.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

FODA

Qual a relação entre a expressão de gênero e a violência no Carnaval?

Márcio Santilli

Guerras e polarização política bloqueiam avanços na conferência do clima

Colunista NINJA

Vitória de Milei: é preciso compor uma nova canção

Márcio Santilli

Ponto de não retorno

Márcio Santilli

‘Caminho do meio’ para a demarcação de Terras Indígenas

Jade Beatriz

CONAE: Um Marco na Revogação do Novo Ensino Médio

Ediane Maria

O racismo também te dá gatilho?

Bancada Feminista do PSOL

Transição energética justa ou colapso socioambiental: o momento de decidir qual rumo seguir é agora

XEPA

Escutar os saberes ancestrais para evitar a queda do céu, o sumiço do chão e o veneno no prato

Instituto Fome Zero

MST: 40 anos de conquistas e de ideias que alimentam a esperança de um mundo sem Fome

William Filho

Legalização da maconha na Alemanha: o início de uma nova onda?

André Menezes

Os sons dos vinis: um papo com Dj Nyack, diretamente da Discopédia

André Menezes

Eu preciso falar sobre o desfile da Portela

William Filho

Minha dica ao novo secretário de Justiça

André Menezes

Tá no sangue: um papo sobre samba com os irmãos Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira