Foto: Midia NINJA

É simbólico e político que lideranças indígenas tenham sido recebidas na Fundação Nacional do Índio (Funai) com policiamento intensivo, spray de pimenta, gás lacrimogêneo e tropa de choque.

Um policiamento, que como afirmam as lideranças, é desejado e ausente em aldeias e comunidades que sofrem com as ações de garimpeiros ilegais e criminosos.

Criminosos que lá nas aldeias ameaçam a integridade física e queimam casas de lideranças, como a da líder indígena Maria Leusa, do povo Munduruku; ou atacam comunidades como a Palimi Ú, do povo Yanomami, com armamento pesado na tentativa de expulsá-los de suas terras.

Sem contar o resíduo da destruição, como o mercúrio que contamina os rios e o sangue dos povos; a desnutrição e a fome, a malária e tantos outros atentados contra a existência indígena.

A Funai, órgão indigenista criado para proteger os direitos dos povos, tem à sua frente hoje um delegado da Polícia Federal, Marcelo Xavier, que entre outros feitos negativamente inacreditáveis, esteve na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados para apoiar o PL 490.

Na prática, o PL acaba com a política de demarcação de terras indígenas no Brasil, abrindo possibilidade de revisão de terras indígenas já demarcadas e homologadas.

Em carta pública divulgada ontem pela Apib – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – eles denunciam que o delegado “transformou a Funai na ‘Fundação da INTIMIDAÇÃO do Índio’, órgão que hoje mais se parece com uma delegacia política, que persegue e criminaliza lideranças”.

Afirmam ainda que o órgão hoje edita atos administrativos anti-indígenas, como a Instrução Normativa nº 09 e outras, negocia medidas no Congresso Nacional. Um verdadeiro escárnio! Uma tentativa de desmoralização e enfraquecimento dos povos.

Nesse sentido, a resposta da PM aos protestos indígenas, da forma como foi, representa os dentes deste governo genocida, que não gosta dos povos indígenas, nem de ninguém.

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