Por que Trump não conseguirá se afastar do escândalo dos arquivos de Epstein
Presidente dos Estados Unidos tenta se afastar dos arquivos de Epstein, mas vítimas e feministas exigem transparência e justiça.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encontra-se em uma encruzilhada ao tentar “virar a página” do escândalo envolvendo os arquivos de Jeffrey Epstein — um caso que expõe não apenas redes de poder, mas também a violência sexual sistemática contra meninas e mulheres, frequentemente ignorada ou encoberta pelas elites políticas e econômicas. Mesmo após o governo afirmar que a revisão dos documentos foi concluída, sobreviventes e defensores dos direitos humanos seguem exigindo transparência e justiça.
Nos últimos meses, o Departamento de Justiça dos EUA divulgou milhões de páginas relacionadas à investigação sobre a rede de tráfico sexual comandada por Epstein, incluindo correspondências, e-mails e fotografias. No entanto, a divulgação parcial e fortemente editada desses documentos alimentou críticas de que autoridades estariam protegendo nomes influentes, em detrimento da verdade e do direito das vítimas à reparação.
Trump afirmou repetidamente que o país deveria “seguir em frente”, minimizando a gravidade dos fatos e alegando que nada comprometedor “saiu sobre mim”. Ainda assim, seu nome aparece nos arquivos inúmeras vezes, e há registros de uma relação próxima com Epstein nos anos 1990 — mais um exemplo de como homens em posições de poder se beneficiam da impunidade e do silenciamento das mulheres.
Grupos feministas e sobreviventes denunciam o padrão recorrente de invisibilização das vítimas e alertam para o risco de que o caso seja encerrado sem responsabilização efetiva. A Epstein Files Transparency Act, que exige a ampla divulgação do material, é vista por muitas mulheres como uma ferramenta essencial para romper o ciclo de abuso e encobrimento.
Enquanto isso, a Câmara dos Representantes prossegue com sua própria investigação, prometendo ouvir figuras de destaque. Para o movimento feminista, no entanto, mais importante do que o embate político é a urgência de colocar as vítimas no centro da discussão. Não há como “virar a página” sem essas respostas.
Com informações da BBC.



