Segundo ano seguido com Brasil em destaque no Oscar! Viramos o país do cinema?
Chegou a hora de assumir um novo título como o País do Cinema?
Por Theodora Prandini
Vamos deixar claro: a trajetória do Brasil no Oscar não começou com “Ainda Estou Aqui” em 2025. Nossa primeira indicação ao prêmio estadunidense veio em 1963, com o filme “O Pagador de Promessas” de Anselmo Duarte, indicado a Melhor Filme Internacional, e a primeira vitória de uma pessoa brasileira aconteceu 30 anos depois, em 1993, quando Luciana Arrighi, nascida no Rio de Janeiro, venceu a categoria de Melhor Direção de Arte pelo filme “Retorno a Howards End” (uma co-produção estadunidense-britânica-japonesa). Além disso, 4 co-produções brasileiras já levaram uma estatueta: “Orfeu Negro”, em 1960 (Melhor Filme Internacional); “O Beijo da Mulher Aranha”, em 1986 (Melhor Ator); “Diários de Motocicleta”, em 2005 (Melhor Canção Original) e “Me Chame Pelo Seu Nome”, em 2018 (Melhor Roteiro Adaptado), mas nenhuma dessas vitórias foi creditada ou recebida por brasileiros.
Nossa primeira vitória como país ocorreu em 2025, quando “Ainda Estou Aqui” levou o prêmio de Melhor Filme Internacional, e esse ano estamos concorrendo a 5 estatuetas (4 por “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho – Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Direção de Elenco -, e 1 por “Sonhos de Trem”, uma produção estadunidense pela qual o brasileiro Adolpho Veloso concorre na categoria de Melhor Fotografia).
Com vitória ou não, a indicação por si só já é uma grande conquista. Lembremos, por exemplo, de Fernando Montenegro, indicada a Melhor Atriz por seu papel em “Central do Brasil”, em 1999, que perdeu para a performance de Gwyneth Paltrow em “Shakespeare Apaixonado”, ou de sua filha, Fernanda Torres, indicada na mesma categoria em 2025 pelo filme “Ainda Estou Aqui”, que perdeu para Mikey Madison por sua atuação em “Anora”. As duas brasileiras não levaram o prêmio, mas sem nenhuma dúvida são vencedoras em seu país de origem.
É relevante apontar, porém, que o valor da nossa indústria cinematográfica não deveria depender da validação estrangeira, mas em um mundo norte-centrista, a aprovação de Hollywood ainda diz muito na nossa sociedade atual. Esse feedback positivo dos EUA ajuda muitos brasileiros afetados pela tão comum “síndrome de vira-lata” a se sentirem orgulhosos do próprio país. Sempre sentimos orgulho de sermos o País do Futebol, mas já não ganhamos uma Copa do Mundo há 24 anos. É claro que torcemos para o hexa na Copa de 2026, mas enquanto ele não vem, que tal dedicarmos a mesma energia para louvar o nosso cinema? Será que, como nação, não chegou a hora de darmos à nossa indústria cultural a sua devida importância?
Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.