Oscar 2026 bate recorde histórico de indicações de obras produzidas por mulheres

Mas ainda assim, há falta de representatividade em categorias específicas e nos resultados.

por Safira Ferreira

Foto: Miyako Bellizzi, Deborah L. Scott, Ruth E. Carter, Kate Hawley e Malgosia Turzańska concorrem ao Oscar de Melhor Figurino neste ano — Foto: Getty Images

Uma onda de ódio e violência vem repercutindo com veemência neste início de ano, especificamente direcionada às mulheres. Dessa forma, com o medo aparente e o direito básico reprimido, fica cada vez mais difícil comemorar e até enxergar as conquistas femininas em outros âmbitos, como no trabalho e na carreira.

Logo, por respeito, devemos honrar este feito que o Academy Awards consagra em 2026, batendo um recorde histórico no número de indicações de obras produzidas por mulheres. A edição do Oscar de 2023 liderava com 71 indicações, mas agora, em 2026, são 74 nomes entre os indicados, tornando-se o maior número já registrado pela Academia.

A categoria que mais se destaca nesse feito é a de Melhor Figurino, por ser dominada por mulheres. Na categoria de Melhor Filme, é notório o aumento no número de mulheres que compõem a equipe de produção, sendo que 8 dos 10 filmes indicados revelam essa presença. Assim como em Melhor Som, que também, pela primeira vez na história, traz uma equipe formada apenas por mulheres: as sonoplastas Amanda Villavieja, Laia Casanovas e Yasmina Praderas, pelo filme Sirāt. E a nova categoria de Melhor Elenco, que, em sua inauguração, trouxe cinco nomes: Francine Maisler por Pecadores (Sinners), Cassandra Kulukundis por Uma Batalha Após a Outra (A Real Pain), Fiona Weir (Hamnet) e Susan Shopmaker (Marty Supreme). Somando essas e as demais categorias, o resultado é de 30% das indicações ocupadas por mulheres neste ano.

A diretora de fotografia Autumn Durald Arkapaw com a câmera IMAX em “Pecadores” de Eli Adé

Jessie Buckley (Melhor Atriz por Hamnet), quando venceu o prêmio de Melhor Atriz no BAFTA Awards de 2026, apresentou uma fala homenageando suas colegas de profissão: “mulheres do passado, presente e futuro que me ensinaram a atuar de forma diferente”, enfatizando que acredita no poder do cinema através das histórias contadas por mulheres. Já Autumn Durald Arkapaw, protagonizando outro marco ao se tornar a primeira mulher da história indicada em Direção de Fotografia, também comentou sobre o assunto. Ela diz: “o ‘olhar feminino’ não se limita a gêneros específicos de filmes, mas à competência técnica pura.” Ela salienta que mulheres podem dominar as maiores tecnologias do cinema.

Em um cenário marcado pela predominância masculina, ter essas vozes ocupando cada vez mais espaços de prospecção cultural é algo extremamente importante e válido de ser lembrado. No entanto, há outra disputa que precisa ser ouvida: a dos vencedores. Porque, apesar de indicadas, é difícil que uma mulher vença em sua categoria. De acordo com a revista Forbes, os vencedores em cada categoria não chegam a 18% de mulheres; mesmo assim, esse espaço logo é retomado.

Além disso, há falta de representatividade em categorias específicas, como a de direção. Neste ano, Chloé Zhao (Hamnet) foi a única mulher indicada. Outras categorias que têm mostrado bastante essa discrepância são as de Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem, Trilha Sonora, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Roteiro Adaptado, com pouca ou quase nenhuma mulher indicada.

É um campo que ainda requer muito mais reconhecimento e respeito. Ver esse espaço sendo ocupado aos poucos demonstra muita garra e coragem. Que nós, mulheres, possamos alcançar ainda mais lugares, posições e vozes.

Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.