Os indígenas caçadores de vampiros em Pecadores
Povos originários contra o mesmo inimigo.
Por Losa Breu

No filme Pecadores, observamos a divisão social e racial entre pessoas asiáticas e negras, um retrato dos desdobramentos da colonização ao longo da construção dos Estados Unidos. Dois povos distintos que compartilham a mesma carga de conviver sob um sistema racista. Porém, antes da chegada deles, outros povos já existiam naquela terra.
Os indígenas Choctaw foram os primeiros a ter contato com os vampiros e a saber que carregavam todo o mal e destruição. Em uma cena curta, mas impactante, antes de os vampiros seguirem caminho para o evento dos irmãos Smoke e Stake, conhecemos essa parte da história: o vampiro, fugindo dos indígenas, chega a uma fazenda e pede abrigo ao casal dono da casa.
Após abrigar o vampiro, os indígenas chegam à fazenda. A moradora é avisada sobre o perigo que estaria correndo caso o vampiro estivesse na residência, mas não se importa e menospreza a situação, visto que deve considerar as pessoas não brancas como inferiores e/ou perigosas. Os caçadores originários percebem o pôr do sol — que indicava o limite de segurança — e partem de volta. A fazendeira, membro da Ku Klux Klan, por sua vez, é transformada em vampira.
As invasões no continente americano resultaram em diversos apagamentos histórico-culturais. Aqui já era uma terra pertencente a um povo. No entanto, o ideal do colono estava na ambição de possuir e aniquilar tudo o que fosse visto como um problema. Durante todo o período sombrio da colonização, povos estrangeiros e nativos foram forçados à escravidão, algo que até hoje reflete na estrutura da nossa sociedade.
Os caçadores indígenas não estão colocados como vítimas, mas como agentes da sua própria segurança e saber, pois precisavam sobreviver.
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Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.