Foto: Engels Miranda

Rita Batista tem uma carreira inspiradora, são mais de 21 anos dedicados à comunicação. A apresentadora e jornalista é hoje uma das maiores comunicadoras do Brasil. Sendo uma mulher preta, ela sabe que isso diz muito mais do que parece. Mulher de fibra, inteligente, forte, perspicaz, guerreira, linda, sagaz e decidida. Seria preciso mais uns cinco parágrafos para descrever todas as suas qualidades, mas dá para resumir numa única frase também: A Rita é fod*! 

Em maio deste ano, ela ainda lançou o livro “A Vida É Um Presente” pela editora Planeta, que reúne 111 mantras selecionados pela comunicadora. O lançamento da obra surgiu a partir de pedidos de fãs que acompanhavam seu podcast “Tudo Odara”. 

Na coluna de hoje, será possível descobrir um pouco mais sobre sua carreira, a relação com a palavra e a pauta racial, além de muitas outras curiosidades de sua vida pessoal e profissional que muitas meninas pretas poderão se inspirar. 

Senhoras e senhores, com vocês, Rita Batista:

Qual a sua relação com a palavra?

Rita Batista – Como está lá no Salmo 91, a palavra é meu escudo e meu broquel. É uma palavra que eu me armo e me defendo. Eu acho que, para um profissional de comunicação, a palavra, a sílaba, o fonema, as letras, os vogais e os consoantes são verdadeiramente o nosso material de trabalho.

E o uso adequado, não acomodado, mas adequado da palavra e do que elas formam, as frases, os períodos, os parágrafos, os textos, que sejam eles lidos, falados, ouvidos, independente do meio de comunicação onde a gente está se expressando, fazem com que o nosso ofício aconteça, vale a pena, seja verdadeiramente um ofício.

Por que é tão importante termos pessoas pretas no controle da narrativa?

Rita Batista – Você pode substituir mulheres negras como objeto de estudo por mulheres negras contando sua própria história. Esse é o título de um livro que eu gosto muito, de uma acadêmica, professora, doutora, preta-doutora, inclusive, que ela fala muito sobre isso, sobre as mulheres na academia, das mulheres na universidade, das mulheres pesquisadoras, e que saem deste lugar de objeto de estudo – as pessoas que escrevem sobre elas, sobre suas histórias – para as fomentadoras de conhecimento, as formadoras de conteúdo, as estudiosas. Então isso é muito importante. Acho que isso responde um tanto dessa pergunta, porque as narrativas sempre foram escritas por aqueles que nos escravizaram, nos colonizaram, nos deixaram em posições de subalternidade e que se apropriaram dos nossos saberes, inclusive. 

E é preciso hoje nas companhias mais e mais pessoas pretas diretoras, diretores, CEOs, CFOs, pessoas de decisão, as que estão com as canetas, isso também no poder legislativo, executivo, judiciário, porque essas pessoas têm trajetórias que são em boa parte iguais e ou parecidas, com aqueles e aquelas que eles vão atender, com a maioria da população brasileira, de preto e pardo, segundo o IBGE. 


Qual projeto você tem mais orgulho de ter lançado e porquê? 

Rita Batista – Acho que todos os meus intentos profissionais, todos os meus projetos, eu tenho orgulho, sabe? Porque diz muito sobre a minha carreira. São 21 anos de carreira, passando por diversos veículos, boa parte deles no regional, no meu estado, no estado da Bahia, um estado grande, maior do que alguns países, 417 municípios, e falando a partir da capital, mas sempre com o olho no interior, nas especificidades do meu estado, nas costas, nas possibilidades artísticas culturais, e, infelizmente, também nas mazelas, nos problemas, nos IDHs, nos déficits, infraestrutura, saúde, educação, econômicos. 

Mas eu acho que as mudanças de emissora e as mudanças de papel sempre dão uma coisa assim: “ufa, cheguei aqui!”. Mas esse estado que me sustentou, essas pessoas, esses telespectadores e telespectadoras que me sustentaram durante tanto tempo, vieram junto comigo para o Sudeste. 

Então, desde os primeiros movimentos, com o Band, com o Muito Mais, que foi a minha primeira aparição em um produto televisivo regular, muita gente não entendeu nada, “como assim ela aqui, jornalista, respeitada, vai fazer um programa de fofoca?”. Nas primeiras, a gente faz o que pode, depois faz o que quer. É possível aprender muito de televisão ali, dessa televisão ao vivo, dessas urgências, da audiência e também desse mainstream, desse bastidor televisivo nacional.

Importante saber muito bem entrar e sair dos lugares. Depois disso, foi A Liga, um produto também da Band. E aí, em 2020, a chegada na TV Globo, que também foi um impacto para quem me conhecia no meu estado e na minha região, como apresentadora e de repente eu vim como repórter da Supermanhã. E em julho de 2022, fazer parte do corpo de apresentadores do É de Casa, programa que está há oito anos na emissora com sucesso de público, crítica e comercial, publicitário. Então são essas coisas assim, sabe, que vão me retroalimentando. 

Você acha que a pauta racial avançou no Brasil?

Rita Batista – Sim, eu acho. Não chegamos nem perto do que pretendemos. E o que pretendemos? Equidade. Nós sabemos disso. Mas avançou. E aí eu falo sobre o meio televisivo. Eu falo sobre os canais de televisão. Se essa sociedade não tivesse avançado, a gente não teria os destaques televisivos pretos e pretas que temos. Com certeza não. A gente continuaria do mesmo jeito. Há 20 anos, cada emissora só tinha um. Quando tinha. Hoje temos mais. É importante reconhecer os avanços, mas não ficar confortável do que está aí posto. Mas é importante reconhecer os avanços. 

Qual legado gostaria de deixar?

Rita Batista: O legado que gostaria de deixar é de que eu contribuí para uma sociedade mais adequada, uma sociedade que é mais autônoma, que sabe dos seus direitos, que os busca e os têm reconhecidos. Uma sociedade cumpridora dos seus deveres sem abusos. Abuso de poder, abuso de autoridade, abuso de qualquer ordem, abuso não é bom. Então, é esse o legado que eu gostaria de deixar, que o meu ofício, o exercício da minha profissão, contribuísse para que as pessoas fossem cada vez mais autônomas, e com isso chegassemos sim, para mim, pessoalmente, numa sociedade verdadeiramente mais igual. Sem embate por coisas que são, enfim, que deveriam ser pelo menos, comuns a todos, que o básico fosse verdadeiramente garantido e que, pode ser utópico, pode ser sonhador, mas que tivéssemos sim vergonha, constrangimento quando algo não acontecesse dessa forma. Se os princípios democráticos forem respeitados e cumpridos, já tô morrendo em paz.

Trajetória de Rita Batista na comunicação: 

Anos 2000: Produtora de cinema e publicidade

2001/ 2002: Produtora TV Salvador (Rede Bahia) 

2003 a 2010: Grupo Metrópole

Rádio, Revista, Jornal, Site

Produtora, Repórter, Apresentadora

2003 a 2009: TV Aratu

Apresentadora, Produtora, Editora

2010 a 2012: BandBahia TV Apresentadora

2010 a 2011: BandNews Rádio (BA) Apresentadora

2012 a 2014: TV Band (SP) Nacional

Muito Mais, A Liga 

Repórter, Apresentadora

2015 a 2018: Grupo Metrópole Apresentadora

2016: (Fev a Nov) TV Aratu – Apresentadora

2016: GNT Saia pelo Brasil – Repórter

2017: TVE – Apresentadora (Carnaval)

2018: até Janeiro de 2020 TVE- Apresentadora

Julho de 2020 até Março 2021:  Rádio Globo (BA) Apresentadora

Dez de 2020 a Junho de 2022: TV Globo (Nacional)

Repórter, Produtora, Apresentadora de Quadros

Julho de 2022: Apresentadora TV Globo – É de Casa