Dia Nacional da Luta contra Endometriose: atenção aos sintomas silenciosos
Endometriose: doença crônica que causa dor e infertilidade, exige diagnóstico precoce e tratamento contínuo.
Por Elizabete de Jesus
Instituído pela Lei nº 14.324/2022, o Dia Nacional da Luta contra a Endometriose, celebrado em 13 de março, chama a atenção para uma doença que atinge cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde: a Endometriose.
A endometriose é uma condição ginecológica caracterizada pelo crescimento do estroma e de glândulas endometriais fora do útero, o que pode provocar dor intensa e processos inflamatórios no corpo da mulher. Entre as possíveis causas da doença, acredita-se que fatores genéticos e hormonais estejam associados ao seu desenvolvimento.
No início, a doença costuma ser silenciosa e pode ser confundida com sintomas comuns do período menstrual, como cólicas e sangramento intenso em algumas mulheres. Entretanto, a médica ginecologista Sônia Moreira alerta para a importância de observar os sinais para que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível.
“O principal sintoma realmente é dor. Porém, algumas pacientes sentem bem poucos sintomas dolorosos, né? Ou aquela cólica que parece ser normal durante o ciclo menstrual, mas que deve ser sempre avaliada por um médico. Algumas vezes não tem sintoma nenhum e a mulher vai descobrir que tem endometriose justamente quando investiga o motivo de não conseguir engravidar”, explica.
Além da dor intensa, outros sintomas podem estar associados à doença, como dor pélvica, fluxo menstrual muito intenso, dor durante a relação sexual, distensão abdominal, problemas intestinais e, em alguns casos, infertilidade. Apesar da dificuldade para engravidar, segundo a médica, é possível que a mulher que deseja ser mãe realize esse desejo, desde que faça o acompanhamento e o tratamento adequados.
Assim como ocorre com outras doenças crônicas, após o diagnóstico é fundamental adotar mudanças de hábitos para amenizar, principalmente, os desconfortos causados pela endometriose. Manter uma alimentação balanceada, rica em vegetais, legumes e fibras, pode ajudar a controlar as dores e a inflamação no organismo. Além disso, a prática regular de exercícios físicos também é uma importante aliada no alívio dos sintomas.
A secretária do lar Orfila Aires recebeu o diagnóstico há dois anos. Desde então, ela procura seguir todas as recomendações médicas e afirma que a mudança no estilo de vida proporcionou melhores condições para lidar com a doença.
“Eu lido com a doença hoje fazendo uso de remédio contínuo, né? Faço fisioterapia para ajudar, procurei mudar a minha alimentação. Vários alimentos eu não como, porque a endometriose inflama o teu corpo de uma tal forma que você sente muita dor pélvica quando o seu corpo está muito inflamado. Então, hoje em dia, para amenizar essas dores, eu tive que mudar minha rotina de vida, fazer fisioterapia, mudar minha alimentação, e hoje eu me encontro bem melhor”, comenta Orfila.
Antes de receber o diagnóstico, Orfila chegou a ter suas atividades diárias interrompidas por dores constantes, a ponto de precisar procurar atendimento hospitalar. A endometriose também afetou sua relação conjugal, mas, para ela, o apoio do marido foi essencial para enfrentar os desafios da condição.
“Logo no início, quando eu descobri, foi muito desconfortável até para o meu casamento, né? Porque deixa a gente desconfortável. Eu passei um período sem ter relação com o meu marido. Mas, para honra e glória do Senhor Jesus, eu tenho um marido muito bom, que entendeu, que me apoiou. Isso também fez toda a diferença, porque quando a gente tem um parceiro que entende a tua doença, te apoia, faz a diferença”, relata.
Segundo o Ministério da Saúde, o tempo médio para diagnosticar a doença é de cerca de sete anos, considerando o período entre os primeiros sintomas e a confirmação do diagnóstico. Entre os exames utilizados estão métodos de imagem, como ultrassonografia transvaginal, ressonância magnética da pelve com contraste e, em alguns casos, a indicação de cirurgia por videolaparoscopia.
A endometriose pode ser classificada em diferentes formas, dependendo da localização e da profundidade do tecido endometrial fora do útero. Entre os tipos mais comuns estão a endometriose peritoneal superficial, a endometriose ovariana e a endometriose infiltrativa profunda.
Vale ressaltar que a doença não tem cura, mas, com o tratamento adequado, é possível manter qualidade de vida, como explica a Dra. Sônia.
“Infelizmente, como toda doença crônica, a gente não pode falar em cura. Mas existem diversos tratamentos que ajudam a controlar os sintomas e o paciente pode viver uma vida boa, tranquila e sem dor. Falar de cura, realmente, não é possível”, esclarece a médica.
O tratamento costuma envolver o uso de medicamentos e acompanhamento ginecológico regular, para que a paciente receba orientação adequada. Além disso, o acompanhamento psicológico também pode ser fundamental para lidar com os impactos emocionais e os desafios provocados pela doença.