Por Yuto Sanot

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Com a popularidade de “O Agente Secreto” (2025)  é comum pensar que Kleber Mendonça Filho seja o ícone Pernambucano quando se fala em produções cinematográficas, mas antes de Kleber, muitos outros cineastas moldaram o terreno e prepararam Pernambuco para ser um dos principais polos de cinema do Brasil.  

Apesar de Kleber ter sim contribuído para a consolidação de Pernambuco como um dos principais polos de produção audiovisual do Brasil, Pernambuco já atuava com uma indústria intensa. Nas últimas décadas, o chamado “novo ciclo do cinema pernambucano”, que ganhou força a partir dos anos 1990, trouxe uma geração de cineastas interessados em retratar o cotidiano, os conflitos sociais e as transformações culturais do estado. 

Esse movimento foi responsável por colocar o cinema pernambucano em destaque no cenário nacional e internacional, com produções que passaram a circular em festivais importantes e a conquistar reconhecimento da crítica especializada. Embora o nome de Kleber Mendonça Filho seja frequentemente associado a esse crescimento, outros realizadores tiveram papel fundamental na construção dessa trajetória.

Entre eles estão cineastas que, ao longo de diferentes gerações, ajudaram a consolidar a identidade do audiovisual Pernambucano.

Os cinco cineastas fundamentais para o cinema de Pernambuco

 Foto: Gustavo Gloria/Arquivo Folha

Entre os nomes mais importantes do cinema pernambucano está Kátia Mesel, considerada uma das pioneiras do audiovisual no estado. Nascida em 1948, Katia atua desde os anos 1980, a diretora, produtora e pesquisadora contribuiu para a preservação da memória cinematográfica local e para o fortalecimento da produção independente em Pernambuco. Katia Mesel, produziu mais de 300 filmes entre curtas, longas e documentários, além de ser a primeira mulher de Pernambuco a dirigir um filme e a primeira do Brasil a participar de um festival de cinema. Katia Mesel é uma cineasta brasileira reconhecida por seu trabalho pioneiro no cinema de Pernambuco. Entre seus filmes populares, destaca-se “Recife de Dentro pra Fora” (1997), que mostra a realidade social ao redor do Rio Capibaribe.

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Outro nome de destaque é Hilton Lacerda, roteirista e diretor que participou de importantes produções do cinema pernambucano contemporâneo. Ele nasceu em Recife no ano de 1965 e iniciou suas atividades no audiovisual atuando como assistente de direção e coroteirista. Nos anos 90, formou com Helder Aragão (Dj Dolores) a dupla Dolores & Morales, responsável pela direção de vários videoclipes da cena Manguebeat, de bandas pernambucanas como Chico Science e Nação Zumbi, Mundo Livre S/A e Mestre Ambrósio. Assinou roteiros de filmes marcantes do movimento e também dirigiu obras como “Tatuagem” (2013), que aborda temas como liberdade, política e diversidade durante o período da ditadura militar no Brasil.

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Já Gabriel Mascaro nasceu em 1983 no Recife e representa uma geração mais recente de realizadores que ampliaram a presença do cinema pernambucano no circuito internacional. Abrangendo cinema e as artes visuais, o seu trabalho tem sido mostrado nos museus de arte contemporânea de Barcelona, MOMA Documentário Quinzena – Nova Iorque, La Casa Escendida – Madrid, AB4 Athens Biennale, 32 Panorama da Arte Brasileira, no MAM-SP, Videobrasil e pelo festivais de cinema importantes, como Rotterdam, Oberhausen, Visions du Reel, IDFA, Munique, Jihlava, Bafici, Los Angeles, Miami, IndieLisbon, Bratislava, Bangkok.). Seus filmes exploram questões sociais e políticas por meio de uma linguagem autoral e experimental, como em “Boi Neon” (2015) e “Divino Amor” (2017).

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Também se destaca Cláudio Assis, nascido na cidade de Caruaru em 1959, o diretor é conhecido por suas narrativas provocativas e por retratar personagens marginalizados da sociedade. Filmes como “Amarelo Manga” e “Baixio das Bestas” marcaram o cinema brasileiro ao abordar temas como desigualdade, violência e exclusão social, levando Cláudio Assis a ganhar inúmeros prêmios e ser reconhecido internacionalmente.

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Outro realizador importante é Lírio Ferreira, nascido em Recife em 1965, participou diretamente da retomada do cinema pernambucano nos anos 1990. Seu filme “Baile Perfumado” (1997), dirigido em parceria com Paulo Caldas, é considerado um marco do novo cinema produzido no estado, ganhando prêmio de melhor filme, melhor cenografia e ator coadjuvante do Festival de Brasília, ajudando a impulsionar a visibilidade do audiovisual pernambucano .

Um cinema marcado pela identidade cultural

Foto: Jornal Digital – Geneton Moraes Neto com Câmera Super 8 (Imagem: Desconhecido)

Apesar das diferenças estéticas e temáticas entre esses realizadores, muitos de seus trabalhos compartilham um interesse comum: explorar a realidade social, cultural e política do Nordeste e do Brasil.

Seja através de narrativas mais experimentais, de críticas sociais ou de retratos do cotidiano urbano, o cinema pernambucano se tornou conhecido por sua forte identidade autoral e por seu compromisso com temas relevantes da sociedade brasileira.

O trabalho de cineastas como Kátia Mesel, Hilton Lacerda, Gabriel Mascaro, Cláudio Assis e Lírio Ferreira demonstra como a produção audiovisual local contribuiu para renovar o cinema brasileiro nas últimas décadas. Juntos, esses e outros realizadores ajudaram a consolidar Pernambuco como um dos centros mais criativos e influentes do cinema nacional.

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Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.