A resposta às vésperas do oitavo ano: quem e por que matou Marielle e Anderson?
Após quase oito anos, a Justiça condena os responsáveis pelo assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
Foram necessários quase oito anos para que a Justiça brasileira desse uma resposta a um crime bárbaro: o assassinato de uma mulher negra, da favela, LGBTQIAPN+, vereadora eleita com mais de 46 mil votos — Marielle Franco — e também do companheiro que a conduzia para casa, Anderson Gomes, um homem jovem, pai atípico, com uma família que, assim como Mônica Benício, companheira de Marielle, o aguardava em casa.
Acompanhar o julgamento, ouvir sobre a dinâmica e o planejamento do crime, e constatar que, neste Brasil que registra ao menos quatro feminicídios por dia, eles executaram Marielle Franco porque acreditaram que matar uma mulher preta cairia rapidamente no esquecimento, é devastador. São os gritos misóginos que dizem que nossos corpos são matáveis, que nossas vidas valem menos. Mas somos muitas — e não permitimos que a voz de Marielle se calasse. Ela ecoou e ecoa por nossas gargantas, verbalizando nossas verdades mundo afora.
Passado tanto tempo, ainda que a dor permaneça viva e o impacto desse crime siga dilacerando os corações de todos nós — que éramos próximas, que nos sentíamos representadas por ela, e de seus familiares —, foi, sim, uma resposta ver seus algozes e os mentores do crime sentarem no banco dos réus e serem condenados a mais de 70 anos de prisão. Os irmãos Brazão foram apontados como mandantes, enquanto seus comparsas receberam sentenças menores. Ainda assim, é importante que tenham sido condenados.
Além da condenação ao cárcere, também pagarão multas às duas famílias. Válido, muito válido. Nenhum dinheiro do mundo tira a dor da ausência, mas faz essa gente — sem coração e sem ética — sentir algum peso por seus atos.
A sensação que fica, além da de que a Justiça é sempre lenta para aqueles que estão fora do círculo dos privilegiados, é de algum alívio. Ainda não sinto que todas as respostas foram dadas; o motivo alegado não me convence. Eu estava na mandata, sei quais eram nossas pautas mais caras. A luta pelos direitos humanos — que inclui moradia digna — é essencial em nossas trajetórias, mas não posso dizer que o nosso trabalho criava embate direto com os criminosos que se consideram donos de tudo, que exploram territórios e se colocam acima do bem e do mal.
As dúvidas seguirão permeando meu pensamento e minha dor. Ainda assim, a resposta do Estado brasileiro, por meio do STF, é um sopro de alívio.