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Por Jean Guimarães

O filme brasileiro, “O Agente Secreto” (2025), com 4 indicações ao Oscar 2026, do diretor Kleber Mendonça Filho, foi disponibilizado no catálogo da Netflix no último sábado (7), o que reacendeu um antigo debate nas redes sociais: o streaming prejudica o cinema?

Alguns internautas foram bastante críticos com a adição do filme, “uma ótima ideia é lançar o filme na Netflix bem no auge do circuito do Oscar. As salas de cinema devem estar soltando fogos”, ironizou um. Outro internauta disse: ““O Agente Secreto’” entrando na Netflix dias antes do Oscar é uma das maiores trairagens que eu já presenciei com o circuito exibidor.”

Mas houveram outros internautas que aprovaram a atitude, “Na semana do Oscar ‘O Agente Secreto’ chega na Netflix. Precisamos, aliás, parabenizar a distribuição da Vitrine Filmes. Sustentou uma longa janela de exclusividade no cinema, analisando os padrões atuais e permitiu que o filme encontrasse novas audiências no streaming”, comentou um. “Pior que o maior erro da distribuição de ‘Ainda Estou Aqui’ foi sair no streaming um mês após o Oscar, quem não tinha condição de ver, não viu, e quem tinha pirateado foi crucificado e jogado pra merda, estão me fazendo defender a netflix de novo”, comentou outro.

Durante o período da COVID-19, os cinemas tiveram que ser fechados para que houvesse uma prevenção contra o vírus. Segundo a revista VEJA, durante o ano de 2020, as salas de cinema no Brasil tiveram uma queda de 78% em comparação ao ano anterior. 

No fim do ano, a arrecadação totalizou 646,3 milhões de reais, com 40,2 milhões de ingressos vendidos. Em contraste, em 2019, o público que assistiu aos filmes foi de 177,2 milhões, representando um aumento de 76%, enquanto a bilheteira alcançou 2,8 bilhões de reais. 

Durante a pandemia, foi registrado um crescimento de 26% nas assinaturas de serviços de streaming, resultando em 232 milhões de novas contas. No ano de 2020, o número total de assinaturas ao redor do mundo alcançou 1,1 bilhão, a receita também apresentou um aumento de 34%, totalizando uma arrecadação de US$14,3 bilhões.

O streaming pós-pandemia se firmou como um principal meio de consumir conteúdos audiovisuais, evoluindo de uma fase de crescimento explosivo durante os períodos de isolamento. Já o cinema no pós-pandemia se encontra em um período de recuperação que prioriza a experiência imersiva, onde o público vem sendo atraído pelos relançamentos nostálgicos de franquias e por salas premium.

Mesmo que o interesse por produções originais tenha caído, as receitas das bilheterias em todo o mundo estão se reerguendo com grandes superproduções. “Eu acho que o cinema não vai morrer. Tem muita gente que é fatalista mesmo, que é o mensageiro do apocalipse: ‘Não, o cinema vai acabar, não vai mais ter.’ Mas ele obviamente vai se adaptar, e na verdade já está se adaptando”, diz Felipe Haurelhuk, cineasta e crítico de cinema, para o Real Time. 

O cinema oferece uma experiência mais imersiva, com uma tela ampla, som de alta qualidade e um espaço compartilhado que pode intensificar as reações do público. Porém, essa opção tende a ter um preço mais elevado e requer deslocamento, além de horários determinados. 

Por outro lado, o streaming possibilita assistir filmes no conforto de casa, a qualquer hora, oferecendo uma vasta seleção e, geralmente, um custo inferior. No entanto, a experiência visual e sonora é menos rica e o consumo pode ser interrompido por diversas distrações. 

No fim, as duas maneiras de se consumir a sétima arte são válidas, cada uma à sua maneira. O cinema ainda respira!

Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.