17 indicações e nenhuma vitória: o Oscar para Diane Warren virou questão de honra
Compositora é a mulher que mais foi indicada a categoria de Melhor Canção Original
Por Guilherme Veiga

Durante muito tempo, Meryl Streep foi símbolo de mulher que sempre dava as caras no Oscar. De fato, a atriz que venceu por A Escolha de Sofia (1983) ainda é a recordista de indicações, mas uma pessoa tem tudo para ameaçar essa liderança de uma forma bem inusitada: Diane Warren, que é recordista na categoria de Melhor Canção Original, chegou a sua 17ª indicação, mas sem ter subido ao palco para receber as honrarias ao seu trabalho
Diane tem 69 anos e é compositora. Em sua lista de composições, alguns hits como “I Don’t Wanna Miss a Thing” do Aerosmith e “Un-Break My Heart” de Toni Braxton, além de colaborações com Taylor Swift, KISS, Lady Gaga, Celine Dion e até Sandy & Junior. Sua prateleira de prêmios também é bem diversa, com Emmys, Grammys e Globos de Ouro. Mas a falta de um deles é mais sentida que a presença dos demais: um Oscar.
Ela até tem um, mas de forma honorária, recebido em 2022. A Academia acertou em reconhecê-la ainda em vida, mas é justamente por ainda estar em atividade que essa estatueta não tem o significado que deveria.
De 2018 a 2026, ela concorreu em todas as edições, se tornando a recordista em indicações consecutivas. Mas, à medida em que batia na trave, ela se tornava um personagem cada vez mais curioso da premiação.
Sua primeira indicação veio em 1988, com “Nothing Gonna Stop Us Now”, do filme Manequim (1987). Desde então, Diane foi se tornando requisitada por Hollywood e, com isso, passou a acumular nomeações. Das 17 indicações até agora, 12 longas foram indicados somente em sua categoria. Isso transformou Warren em um capital de status: ela “vendia” uma indicação quase certa e as produções davam a oportunidade de trabalhar, caso de Flaming’ Hot: O Sabor que Mudou a História (2023) – sim, uma biografia sobre salgadinho – que foi a premiação por conta da faixa “The Fire Inside”.
De fato, com tantas derrotas no currículo, a compositora sentiu algumas. O episódio mais lembrado é na edição de 2022. Warren era a veterana entre os indicados e perdeu para a caloura Billie Eilish, que assinou o tema de James Bond em 007: Sem Tempo Para Morrer. A reação apática no anúncio rapidamente virou meme e se transformou no símbolo dessa busca incessante da compositora.
Tais fatos são abordados em Diane Warren: Relentless, documentário sobre sua trajetória, pelo qual ela conseguiu a 17ª indicação, com “Dear Me”. Essa seria a oportunidade perfeita de premiá-la ao mesmo tempo que celebra sua carreira. Porém, provando que o azar muitas vezes entra nessa conta, ela concorre com dois fenômenos. De um lado, “I Lied To You”, de Pecadores, filme com mais indicações na história do Oscar, 16. De outro, “Golden”, da animação Guerreiras do K-Pop, sucesso absoluto que ocupou o topo das paradas e chega como favorita.
Apesar dos quases, Diane Warren é um colosso na indústria, tanto cinematográfica como fonográfica. E, enquanto a estatueta não vem, a certeza é que ela vai entregar ótimas faixas nesse processo.
Texto produzido em colaboração a partir da Comunidade Cine NINJA. Seu conteúdo não expressa, necessariamente, a opinião oficial da Cine NINJA ou Mídia NINJA.