Por Thamiris Gomes

O carnaval sempre foi um lugar de questionamentos e críticas, que historicamente sempre foi perseguido desde a popularização da festa, e a cada ano vem sendo mais julgado. 

  A ocupação do povo nas ruas, as fantasias que expõe a liberdade dos corpos, os enredos e ritmos que contam a história e cultura que formaram a nossa identidade e diversidade, são ditos como subcultura, vulgaridade e vadiagem, os mesmos nomes impostos quando as mesmas celebrações eram consideradas crimes. 

   Os desfiles por todo país são verdadeiras aulas a céu aberto, que ensinam histórias que não conhecemos, muitas delas apagadas por conta de quem criou. 

  Confecções, ensaios, credenciamentos, licenças são partes de todo um trabalho de quem acredita, se doa, tem seu sustento através dessa festa e não contam com o incentivo de parte do governo, que desvaloriza os serviços públicos durante todo o ano e nesse período questiona as verbas liberadas que deveriam ser destinadas à saúde, educação, etc. 

  Pular carnaval para muitos é anular a competência moral, profissional, etária, que foge do que é culto, comportado, quieto, retido, evoluído, se expressar é exagero, falta de educação, brega, promíscuo, infantil. A desvalorização da cultura popular tem raízes históricas e estruturais, por quem cria e como cria, por fortalecer laços e comunidades onde a alegria cura a exploração diária. 

 Num país que luta pelo fim de uma escala desumana de trabalho, por melhores condições de vida, pelo direito ao lazer, à liberdade, à saúde mental, é confrontar o padrão eurocêntrico elitista, capitalista, conservador e opressor. O que se revela é que quando a festa é feita por privilegiados e detentores de poder, torna-se espetáculo e quando espaços se tornam sofisticados, patrocinados e pagos para o acesso, vira festa que merece ser comemorada.