Foto: Gaspar Nóbrega/COB

Por Luis Antônio Cardoso e João Pedro Menezes

Quando o desempenho do Brasil nos Jogos Olimpícos de 2020 for lembrado, muitos momentos marcantes virão à tona. Ítalo Ferreira conquistando um ouro inédito no surf após a desclassificação polêmica de Gabriel Medina nas semifinais; Rebeca Andrade fazendo história como a primeira mulher a garantir medalhas na ginástica ao subir ao pódio duas vezes; e é claro da pequena skatista Rayssa Leal recebendo a prata com apenas 13 anos de idade. No entanto, um outro jovem brasileiro também merece um espaço nas inúmeras discussões a serem tidas sobre os jogos de Tóquio nos anos por vir: Keno Machado, ou simplesmente Keno Marley.

A trajetória do pugilista de 21 anos começou em Conceição do Almeida, cidade baiana a 160 quilômetros de Salvador, com população de apenas 18 mil habitantes. Lá ingressou no Projeto Quilombo, onde fez parte do grupo de escoteiros e influenciado pelo irmão conheceu o boxe. Aos 12 anos, iniciou seus treinos na nobre arte, se mudando para São Paulo posteriormente.

Além de ter sido o primeiro influenciador, seu irmão mais velho também é responsável pelo curioso apelido.

“Marley é porque meu irmão gostava muito do Bob Marley e tinha os filhos do Bob Marley que têm os nomes legais também. E o Keno é um nome com menção às grandes paisagens, o Grand Canyon”, disse ao Uol.

A carreira do rapaz tem rendido grandes resultados. Keno desembarcou em Tóquio como medalha de prata nos Jogos Panamericano de Lima (2019) e campeão dos Jogos Olimpícos da Juventude de Buenos Aires (2018).

Nas Olimpíadas

A trajetória de Keno no Japão começou muito bem, com uma vitória por nocaute técnico no segundo round contra o chinês Daxiang Cheng, mas nas quartas de finais da categoria meio-pesado (até 81 kg), o brasileiro perdeu de forma polêmica para o britânico Benjamin Whittaker, numa decisão divididas dos jurados. Sobre o resultado, o brasileiro se mostrou muito humilde e feliz com seu desempenho. “Eu cometi alguns erros em alguns momentos da luta, isso acarretou o resultado que foi minha derrota. Estou feliz com a minha performance”, disse ao Sportv.

Minimizando a polêmica, o atleta garantiu que a responsabilidade do resultado da luta era apenas sua. “Não podemos julgar os juízes. Se eu não tivesse cometido os erros, teria ganhado. Eu acho o resultado justo, só depois de avaliação posso falar se teve qualquer tipo de injustiça”, disse após o combate.

 

View this post on Instagram

 

A post shared by Keno Marley (@keno_marley1)

Futuro

Com os Jogos em Paris a apenas três anos, o jovem enxerga com bons olhos seu aprendizado na terra do sol nascente. “Temos muita coisa para desenvolver. Tem o Mundial Militar, o Mundial de Boxe e Paris-24. Tenho apenas 21 anos, tempo para trabalhar e umas duas Olimpíadas pela frente”, disse o boxeador.

Mesmo após a polêmica eliminação, Keno tem conquistado o público brasileiro com suas publicações e comentários nas redes sociais, nas quais costuma parabenizar as conquistas de seus colegas. Após uma série de conquistas nos últimos anos, muita humildade na derrota e um futuro promissor, o que pode ser dito é: Obrigado, Keno.

Texto escrito em cobertura colaborativa da NINJA Esporte Clube

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Colunista NINJA

Memória, verdade e justiça

FODA

Qual a relação entre a expressão de gênero e a violência no Carnaval?

Márcio Santilli

Guerras e polarização política bloqueiam avanços na conferência do clima

Colunista NINJA

Vitória de Milei: é preciso compor uma nova canção

Márcio Santilli

Ponto de não retorno

Márcio Santilli

Através do Equador

XEPA

Cozinhar ou não cozinhar: eis a questão?!

Mônica Francisco

O Caso Marielle Franco caminha para revelar à sociedade a face do Estado Miliciano

Colunista NINJA

A ‘água boa’ da qual Mato Grosso e Brasil dependem

Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida

Na defesa da vida e no combate ao veneno, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos completa 13 anos

Bella Gonçalves

As periferias no centro do orçamento das cidades

Márcio Santilli

Desintegração latino-americana

Márcio Santilli

É hora de ajustar as políticas indígenas

André Menezes

Mais uma vez Vinicius Jr ficou esperando o cartão vermelho para atitudes racistas de torcedores, e ele não veio

Movimento Sem Terra

O Caso Marielle e a contaminação das instituições do RJ