Por Mariana Walsh

Uma das propostas do Comitê Olímpico Internacional (COI) com as Olimpíadas de Tóquio era promover a igualdade e a diversidade. Com a maior participação feminina da história, cerca de 49% da delegação, a edição ficou marcada pelas mulheres. Abaixo estão algumas mulheres que fizeram bonito na capital japonesa e deixaram sua marca na história olímpica.

Rebeca Andrade (ginástica artística)

Foto: Jonne Roriz/COB

Aos 22 anos, ela já passou por três cirurgias no joelho direito, a última em 2019, e quase desistiu do esporte. Em Tóquio, participou da sua segunda Olimpíada e, mais madura e experiente do que no Rio em 2016, foi para três finais (individual geral, salto e solo) e ganhou uma medalha de ouro e uma de prata. Com isso, se tornou a primeira brasileira medalhista e campeã olímpica na ginástica artística e a primeira mulher a ganhar mais de duas medalhas em uma edição dos Jogos para o Brasil. Sua passagem pelo Japão teve Baile de Favela como trilha sonora, gostinho de ouro e muito carisma.  

Emma McKeon (natação)

Foto: REUTERS

A australiana de 27 anos, conquistou sete medalhas na competição e deixou as piscinas de Tóquio como a maior medalhista da edição. Além disso, deixou sua marca se igualando a ginasta Mariya Gorokhovskaya como a maior medalhista em uma só edição entre as mulheres. O talento para a natação está no DNA de Emma, isso porque seu pai, Ronald, participou dos Jogos de 1980 e 1984, enquanto seu tio, Rob, esteve em 1984 e 1988. Após a sua segunda participação olímpica, ela passa a acumular um total de 11 medalhas, sendo cinco de ouro.

Yulimar Rojas (atletismo – salto triplo)

Foto: Hannah Mckay/Reuters

Eleita a melhor atleta do mundo em 2020 pela World Athletics (federação que gere o atletismo mundial), a venezuelana de 1,92 de altura chegou em Tóquio como favorita ao ouro, e confirmou ser a melhor. Se tornou campeã olímpica do salto triplo no atletismo feminino, batendo o recorde olímpico e mundial, com a marca de 15,58m. Ela, que ganhou a prata nos Jogos do Rio, se tornou a primeira mulher na história da Venezuela a conquistar uma medalha de ouro, sendo esta, apenas a quarta conquistada por seu país em Jogos Olímpicos.

Laurel Hubbard (levantamento de peso)

Foto: Chris Graythen | Crédito: Getty Images

A neozelandesa de 43 anos, não conseguiu avançar para a disputa de medalhas no levantamento de peso, entretanto, fez história na capital japonesa. Laurel foi a primeira mulher trans a disputar uma edição dos Jogos Olímpicos. Ela sempre dedicou sua vida ao esporte, mas em 2001, aos 23 anos, se afastou por não aguentar estar em um meio onde sentia não se encaixar. Em 2012 iniciou sua transição, e após mais de uma década, voltou a competir em 2015, dessa vez, entre as mulheres. Atualmente, ela figura no top 10 na categoria acima de 87kg e é uma precursora.

Simone Biles (ginástica artística)

Foto: Laurence Griffiths/Getty Images

Apontada como a maior estrela dos Jogos de Tóquio, Simone Biles chocou o mundo quando anunciou que não participaria da final por equipes na ginástica. Ela estava preservando sua saúde mental, por isso desistiu de competir. A equipe americana conquistou a prata por equipes, e ela só voltou a competir na final da trave, no último dia da ginástica, e ganhou o bronze. A norte-americana deixa o Japão com muito mais do que duas medalhas no bolso, ela ajudou a dar destaque a um assunto de extrema importância

Ramla Ali (boxe)

Foto: Alan Clarke / The Observer

Em meio a Guerra Civil na Somália, ela e sua família se refugiaram na Inglaterra após um de seus irmãos falecer depois de uma granada ter explodido no quintal de sua casa. Na adolescência, começou a praticar boxe escondido de seus pais com o intuito de perder peso, e logo se apaixonou pelo esporte. Em Tóquio, ela chegou como uma das favoritas ao ouro em sua categoria, mas a sua presença ali era muito mais importante do que qualquer medalha. Ramla foi a primeira representante, entre homens e mulheres, da Somália no boxe olímpico. Ela acabou perdendo sua luta nas oitavas de final, mas mesmo assim deixou seu nome escrito na história e inspirou muitas meninas somalis

Hidilyn Diaz (levantamento de peso)

Foto: Chris Graythen/Getty Images

Devido a pandemia, a atleta filipina fez toda a sua preparação pros Jogos na Malásia, e em sua quarta participação olímpica, buscava superar seu melhor desempenho, uma medalha de prata no Rio em 2016. Aos 30 anos, a halterofilista que compete na categoria até 55kg, atingiu seu objetivo e fez história ao conquistar a primeira medalha de ouro das Filipinas. Após o feito, ela retornou ao seu país com um novo status, o de ídolo nacional. 

Elaine Thompson-Herah (atletismo – 100m, 200m e 4x100m) 

Foto: Hannah Mackay / Reuters

Ela foi a mulher mais rápida do mundo na última edição dos Jogos, no Brasil, e repetiu o feito em Tóquio. Elaine conquistou o ouro nos 100m, com direito a quebra de recorde mundial, nos 200m e no revezamento 4x100m do atletismo feminino. Assim, ela se tornou bicampeã olímpica nas provas individuais e fez história ao lado de Shelly-Ann Fraser-Pryce e Shericka Jackson compondo um pódio 100% jamaicano na prova mais rápida. Aos 29 anos e duas participações olímpicas, ela acumula 5 ouros e 1 prata.

Flora Duffy (triathlon)

Foto: David Goldman / AP

A triatleta, que já venceu o campeonato mundial de triatlo em duas ocasiões, conquistou o ouro após cruzar a linha de chegada com o tempo de 1:55:36. Natural das Bermudas, território insular britânico localizado no Atlântico Norte, Flora é a primeira medalhista de ouro da história do país nos Jogos Olímpicos. Com uma população de cerca de 63 mil habitantes, as Bermudas se tornaram o menor país a ganhar uma medalha de ouro

Sifan Hassan (atletismo – 1.500m, 5.000m e 10.000m)

Foto: Dylan Martinez/REUTERS

A holandesa nasceu na Etiópia, mas chegou ao país como refugiada aos 15 anos de idade. Em Tóquio, chamou a atenção ao levar um tombo no início da sua bateria classificatória dos 1.500m e, mesmo assim, chegar em primeiro lugar. No mesmo dia, algumas horas depois, ela ainda ganhou a medalha de ouro na prova dos 5.000m. Nos 1.500m ela acabou ficando com o bronze e nos 10.000m repetiu o ouro. Assim, Sifan deixa o Japão se consagrando como uma das melhores nas provas de fundo do atletismo feminino. 

Bônus: Rayssa Leal (skate)

Foto: Julio Detefon (CBSk)/Reprodução

Ela ainda não é uma mulher, é apenas uma adolescente, mas já fez história nas Olimpíadas. Aos 13 anos, se tornou a brasileira mais jovem a ganhar uma medalha olímpica, ao ficar em segundo lugar na disputa do skate street. Fadinha, como ficou conhecida, viralizou na internet aos 11 anos, com um vídeo seu andando de skate usando uma fantasia de fada. Desde então, a menina começou a se dedicar ao esporte e foi se destacando no cenário mundial. 

Texto elaborado em cobertura colaborativa da NINJA Esporte Clube

 

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