Oksana Chusovitina e Nino Salukvadze servem de modelo para que as mulheres prolonguem cada vez mais sua longevidade no esporte

Foto: Divulgação

Por Helena Lima

O tempo de atuação profissional de um atleta olímpico pode ser extremamente curto, ainda mais no caso das mulheres, que a cada campeonato se deparam com esportistas mais jovens com uma maior perspectiva de desenvolvimento no esporte, principalmente em modalidades como a ginástica artística. No entanto, alguns nomes vêm mudando esse cenário e provando que a idade não precisa ser um fator limitante para se estar entre os melhores do mundo.

Oksana Chusovitina que integrará a equipe de ginástica do Uzbequistão aos 46 anos na Olímpiada de Tóquio, é um exemplo de como é possível se manter em um esporte dominado tradicionalmente por ginastas muito jovens. Sua estreia nos jogos foi em 1992 em Barcelona, quando conquistou uma medalha de ouro pela Equipe Unificada de países membros da antiga União Soviética. Quatro anos depois, representou o Uzbequistão pela primeira vez em Atlanta, um ano após o nascimento de seu filho, Alisher. Em 2000, participou do que seria sua última competição, no entanto, dois anos depois Alisher desenvolveu leucemia e para oferecer um melhor tratamento para ele a família resolveu mudar-se para a Alemanha.

Para se manter em um novo país e pagar o tratamento do filho, ela resolveu continuar treinando e defender a Alemanha na edição de 2008 em Pequim onde conquistou uma medalha de prata com 33 anos. Em uma entrevista à Associated Press, foi questionada a respeito da diferença de idade em relação a suas concorrentes e respondeu:

“No pódio, todos são iguais, sejam vocês de 40 ou 16 anos”.

Outra atleta com uma origem semelhante a Oksana é Nino Salukvadze, que na edição de Tóquio integrará a equipe de tiro esportivo da Geórgia, aos 52 anos. Sua trajetória olímpica começou em 1988 nos jogos de Seul, onde conquistou uma medalha de ouro na pistola de 25m e uma prata na pistola de 10m competindo pela então União Soviética. Com o fim da Guerra Fria e consequente desestruturação da antiga potência, passou a representar a Geórgia nas edições que se seguiram. Nesta edição dos jogos, ela se tornará a primeira mulher, em qualquer esporte, a atingir a marca de nove edições das Olímpiadas. No Rio, em 2016, ela atingiu outro marco ao se tornar a primeira mãe a competir junto com o filho, Tsotne Machavarani, em uma edição de Jogos Olímpicos.

A participação das mulheres citadas acima dentro da maior competição esportiva no mundo levanta uma outra questão importante. As práticas esportivas de maneira geral estão restritas ou são mais oferecidas aos jovens? Os adultos estão buscando praticar modalidades esportivas? Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) em 2015 buscou justamente analisar esses dados relacionados a prática de esporte e atividade física.

Segundo o estudo[1], entre setembro de 2014 e setembro de 2015, a população com idade acima de 15 anos que não praticava nenhum tipo de esporte era de 100,5 milhões de pessoas, o equivalente a 62,1% da população da época que era de 161,8 milhões de brasileiros. Em relação às mulheres, o número era ainda mais preocupante, cerca 83,1% da população feminina não praticava nem um tipo de atividade física. Entre as principais justificativas estavam a falta de tempo ou mesmo de interesse nas modalidades.

[1] Fonte: Agência Brasil 

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