Com muita força de vontade, a judoca busca fazer história mais uma vez

Foto: Emmeric LE PERSON

Por Luis Antonio Cardoso para cobertura colaborativa da NINJA Esporte Clube

Quem assistiu à cerimônia de abertura das Olimpíadas de Tóquio na manhã da última sexta-feira (23) não pôde deixar de perceber a curiosa dupla de porta-bandeiras do Brasil, usando sandálias e sambando. De um lado o levantador Bruno Rezende, filho do técnico mais vitorioso da história do vôlei brasileiro e carinhosamente chamado de Bruninho. Em sua quarta participação em Jogos Olímpicos, sagrou-se medalha de prata em 2008 e 2012, e ouro em 2016.

Ao seu lado a judoca Ketleyn Quadros, outra veterana que iniciou sua trajetória olímpica em Pequim. Certamente o mais conhecido da dupla, o jogador de 1,90m de altura facilmente poderia ofuscar sua companheira, mais de 20 centímetros menor. No entanto, os que desconhecem a história da brasiliense de 33 anos não imaginam os grandes desafios que ela teve que enfrentar.

 

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Natural de Ceilândia Sul e filha de cabeleireiros, Ketleyn conheceu o judô ainda na infância, enquanto treinava natação no Sesi da região. No entanto, foram os treinos da arte marcial japonesa que mais interessavam à menina de apenas 8 anos. Após quatro anos se dividindo entre a piscina e o tatame, a brasileira escolheu o judô.

A trajetória não tem sido fácil. Depois de sua participação nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, a brasileira se tornou campeã sul-americana em 2010, mas não conseguiu se classificar para as duas edições olímpicas seguintes. Hoje, próxima de completar 34 anos, as possibilidades de medalha são difíceis, algo que não é novidade na vida da judoca.

Ketleyn já está acostumada a desafiar as estatísticas. Em 2008, conseguiu se classificar para nas Olimpíadas de Pequim após lesão de Danielle Zangrado, sua principal concorrente. Na China, não foi vista como uma das favoritas, mas na competição silenciou os críticos se tornando a primeira mulher brasileira a subir ao pódio num esporte individual, ao conquistar a medalha de bronze na categoria leve (até 57 kg).

Fonte: Paul Gilham/ Getty Images

Mulher, negra e de origem humilde, Ketleyn tem na própria família grandes fontes de inspiração para seu sucesso. Em entrevista ao Portal G1, declarou:

“Minha família é minha maior inspiração, feita de mulheres guerreiras e nada seria possível sem elas”, disse a judoca, que é a terceira atleta a carregar a bandeira brasileira em cerimônias de aberturas olímpicas.

 

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Ainda de acordo com a brasileira, entrar como porta-bandeira é motivo de grande orgulho para si, principalmente por ser mulher. “Estou muito orgulhosa de representar não só o judô, que é o esporte da minha vida, mas também as mulheres brasileiras, guerreiras e lutadoras”, garantiu Ketleyn. A brasileira faz sua estréia contra a hondurenha Cergia Davidnesta segunda-feita (26), as 23h30, horário de Brasília.

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