O atleta compete nesta sexta-feira (30), às 23h50, no levantamento de peso 96kg pela Equipe de Refugiados

Foto: Getty Images

Por Monique Vasconcelos para cobertura colaborativa da NINJA Esporte Clube

O refugiado camaronês Cyrille Tchatchet II carregava um peso gigante em suas costas que ia muito além da carga que levantava nas competições de halterofilismo: o peso da depressão. Há sete anos o atleta pensou em desistir de tudo e andou à beira de um penhasco apenas esperando o momento certo para colocar fim à própria vida. Felizmente, o atleta encontrou no caminho um sinal para que ele se desse uma segunda chance: uma placa com um telefone de uma instituição que presta apoio psicológico. Cyrille ligou para o local usando seus últimos créditos e foi persuadido a não desistir da vida, com o atendente o mantendo na linha até a chegada do socorro. No fundo Cyrille não queria morrer, mas sim que cessasse o sofrimento.

Além da pressão no esporte que mexe com o psicológico dos atletas, os refugiados levam na bagagem uma história de vida cheia de percalços. Muita coisa aconteceu até que Cyrille Tchatchet, que hoje tem 25 anos, chegasse a esse ponto. Em 2014, o halterofilista foi representar Camarões nos Jogos da Commonwealth de 2014, na Escócia, e fugiu da base da equipe, parando nas ruas de Brighton, na Inglaterra, onde não conhecia ninguém. Ficou mais de dois meses morando debaixo de uma ponte e pedindo esmolas para comprar água e comida.

Cyrille teve a sorte de ter uma chance de recomeçar. Com a chegada da polícia no penhasco aquele dia, o atleta foi transferido para um centro de remoção de imigrantes em Dover, o que o fez temer pela deportação. Mas tudo começou a melhorar, conseguiu asilo e se reinstalado em Birmingham, com uma situação de vida mais segura, o atleta conseguiu se concentrar em cuidar da saúde mental, através de tratamento com remédios antidepressivos e voltou ao esporte.

Com o retorno ao levantamento de peso, tornou-se campeão britânico de 94kg e 96kg, quebrou vários recordes nacionais e ganhou o apoio do Comitê Olímpico Internacional. Agora o camaronês quer mais do que o asilo. Em 2022, ele solicitará a cidadania do Reino Unido e espera começar a competir pela equipe da Grã-Bretanha. Cyrille é cogitado para integrar a equipe da Inglaterra nos Jogos da Commonwealth em Birmingham, no próximo ano, caso o documento seja aprovado a tempo.

Foto: Reprodução / Instagram

Levantamento de livros

Sentir na pele como é viver com depressão fez com que Cyrille Tchatchet II decidisse cursar a faculdade de Enfermagem em Saúde Mental para poder ajudar outras pessoas com problemas psicológicos. O aluno modelo se formou com um diploma de primeira classe pela Universidade de Middlesex, e agora espera começar um mestrado junto com seus treinos. Depois que precisou desistir do curso de Geografia na Universidade de Yaoundé, em Camarões, Cyrille achou que não teria mais a chance de concluir uma graduação. Mas o mundo dá voltas e esse foi mais um sonho realizado.

 

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