O brasileiro marcou seu nome na história do surfe olímpico mundial ao se tornar o primeiro medalhista de ouro do esporte nos Jogos, mas o caminho não foi fácil

Foto: Rodolfo Vilela / rededoesporte

Por Lara Aguiar para cobertura colaborativa da NINJA Esporte Clube

Mais uma vez, o Brasil parou para vibrar por um novo esporte. Depois dos espetáculos de Kelvin Hoefler e Rayssa Leal no skate street, os holofotes apontavam para Ítalo Ferreira, nosso representante na grande final do surfe masculino, que aconteceu nesta madrugada contra o japonês Kanoa Igarashi. 

Nascido e criado em Baía Formosa (RN), o nordestino, filho de pescador, não teve uma trajetória fácil. Quando criança, Ítalo pegava as tampas de isopor das caixas que seu pai usava para vender peixes para praticar a sua maior paixão: o surfe. Sua ascensão começou aos 12 anos, quando o empresário Luiz “Pinga” se surpreendeu com o desempenho do pequeno surfista em uma competição amadora e o convidou para se juntar à sua equipe. Em 2015, aconteceu sua estreia no circuito mundial, onde Ítalo ficou em sétimo lugar geral; mas foi no ano de 2019 que o brasileiro finalmente conquistou o título. 

Se engana quem pensa que o posto de campeão facilitou a vida de Ítalo Ferreira no caminho para as Olimpíadas. Em 2020, nas vésperas de sua estreia nos Jogos Mundiais de Surfe no Japão, evento obrigatório para todos os atletas que queriam participar dos Jogos Olímpicos, o brasileiro teve seu passaporte furtado, dificultando o processo de embarque para o país onde aconteceria a competição. Como se não fosse o suficiente, devido a tufões, seu voo teve que fazer um pouso forçado em outra cidade antes de rumar para Tóquio, atrasando completamente os seus planos. Ao desembarcar, o surfista nem mesmo esperou suas pranchas serem retiradas do avião e correu para a praia, onde, de bermuda jeans e com uma prancha emprestada, conseguiu entrar no mar faltando apenas oito minutos para o fim da bateria e ainda assim venceu a competição, superando seus três adversários que já estavam na água pelo dobro do tempo. 

 

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Pulando diretamente para a final das Olimpíadas, Ítalo Ferreira também começou com perrengues: sua prancha quebrou ao meio após a primeira onda, e o brasileiro teve que correr para a praia para buscar outra enquanto o japonês seguia somando pontos. Mas ele estava determinado. Voltando ao mar, Ítalo conseguiu uma sequência impressionante de manobras com níveis altíssimos de dificuldade e grau técnico, e abriu uma imensa vantagem, surfando movido pelas vibrações de toda uma nação, que assistia a grande final com expectativas altas e nervos a flor da pele após duas baterias polêmicas envolvendo o outro surfista do Brasil, Gabriel Medina.

Mas nada que o japonês fizesse poderia mudar o que já estava escrito. Ítalo Ferreira, brasileiro, nordestino, batalhador nato, honrando a fama do Brazilian Storm, conquistou o primeiro ouro brasileiro nesta edição dos jogos e se tornou o primeiro vencedor da história do surfe enquanto esporte olímpico. 

“Acho que isso serve de inspiração para aqueles que vêm de baixo, têm sonhos, que acreditam até o final, que foi o que eu fiz. […] Quando você vem de baixo, quando você passa por dificuldade, você tem mais vontade, mais garra, mais determinação. Não foi diferente comigo”, disse o atleta em entrevista ao SportTV.

Ítalo também reforçou durante a entrevista que considera o ouro não só uma conquista para o Brasil, mas especialmente para o Nordeste, onde ele planeja construir o Instituto Ítalo Ferreira, que tem como objetivo ajudar crianças por meio do esporte. 

Esperamos que essa vitória simbolize muito mais que um ouro, mas também um incentivo fundamental para os jovens atletas que, assim como Ítalo, ousam sonhar. 

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