Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Por Patrick Simão / Além da Arena

Em 1987, Alexi Stival (Cuca), treinador do Corinthians, foi preso na Suíça por abusar sexualmente de uma garota de 13 anos. Esse acontecimento foi reiterado pelo advogado da vítima Willi Egloff, em entrevista ao UOL. O advogado desmente Cuca, que disse não ter sido reconhecido pela garota. Além disso, ele afirma que o sêmen de Cuca foi encontrado na criança e que ela tentou suicídio.

Estas confirmações, juntamente com a condenação que fez Cuca ser preso com provas, tornam absurdas qualquer defesa que possa ser feita ao treinador. Além disso, Cuca não pode dizer que pagou pelo crime que cometeu, visto que retornou ao Brasil e não pôde ser extraditado. O mesmo acontece com Robinho, já condenado pelo mesmo crime, também de forma coletiva, na Itália em 2009.

Muitas coisas são absurdas quando se trata de Cuca: o crime cometido, o fato dele ter tantos defensores mesmo após o conhecimento público das provas, o silêncio da maior parte do futebol brasileiro e o fato dele ter sido treinador de 10 dos 12 times considerados grandes no país ao longo das últimas décadas.

Apesar do crime ter ocorrido em 1987, ele voltou a tona midiaticamente nos últimos anos, graças à voz cada vez maior dos protestos e à maior influência das redes sociais. Dessa forma, contratações como as de Robinho e Cuca sofrem cada vez mais resistências.

E talvez perguntem: “mas ele não tem o direito de voltar a trabalhar?” O futebol não é um trabalho comum: ele envolve ídolos, que muitas vezes são vistos como espelho, inspirações e assim ultrapassam gerações. Os clubes representam muito mais que instituições: eles fazem parte da identidade e paixão de milhões de brasileiros. Portanto, a lógica é outra: muitos tentam defender o estuprador, esquecendo ou tentando deslegitimar a vítima.

O protesto que as jogadoras do Corinthians fizeram foi histórico e torcemos muito para que surja efeito prático no clube. Mas isso precisa ir muito além delas: o meio de futebol brasileiro, em sua maioria, se posiciona para defender a si mesmos, mas fica em silêncio quando se trata de Cuca, Daniel Alves ou Robinho. Espera-se agora que, com a pressão cada vez maior, um clube como o Corinthians não esteja mais representado por Cuca.

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