Por Laura Abreu para a NINJA Esporte Clube

A modalidade surgiu com o intuito de integrar jogadores com mais de 60 anos. | Foto: Walking Football Brasil (WFB) | Descrição da Imagem: Em uma quadra de futsal, há sete jogadores, sendo da esquerda pra direita, uma mulher negra com colete amarelo, um homem branco de costas com colete azul e boné amarelo, uma mulher branca de lado com colete azul e boné branco, uma mulher negra com colete amarelo, um homem grisalho com colete azul e a bola no pé e uma mulher grisalha com colete amarelo de costas. Ao fundo, é possível ver o gol e uma cesta de basquete.

Quando se pensa em futebol, já vem na mente os jogadores correndo em campo com a bola no pé. Agora, se eu dissesse que tem uma partida em que os jogadores caminham, ao invés de correr? Pode parecer diferente, mas, na verdade, é a realidade da modalidade Walking Football.

Praticada também no Brasil, a modalidade é uma variante do futebol do qual estamos acostumados e foi criada com o intuito de integrar jogadores com mais de 60 anos em uma prática em que os riscos de lesões e fraturas são menores. A partida do Walking Football é disputada caminhando e com contato físico reduzido.

Em alusão ao Dia Internacional da Pessoa Idosa, comemorado no dia 1º de outubro com o objetivo de homenagear e conscientizar sobre as carências sociais e públicas dos idosos, trouxemos um pouco mais sobre a modalidade que busca incluir pessoas da terceira idade no esporte e proporcionar melhora no bem-estar dessa população.

Os passos da modalidade no Brasil

O Walking Football chegou no Brasil importada da Inglaterra através de Raoni Biasucci, que posteriormente seria um dos fundadores da Walking Football Brasil (WFB), organização responsável pela modalidade no país.

Já em solo brasileiro, a prática é disseminada pela WFB através de eventos e parcerias com órgãos públicos e sociais.

“Ao trazer a modalidade para o Brasil, mais do que apresentar um conjunto de regras oficiais do esporte, nos debruçamos para compreender a multiplicidade das pessoas maduras no país. Nesses estudos, nos aprofundamos no entendimento dos pilares do envelhecimento ativo, e promovemos a introdução da modalidade de forma inclusiva, adaptada aos diferentes contextos e valorizando a participação de pessoas idosas de todos os gêneros”, explica Ricardo Leme, um dos fundadores e diretor-executivo da WFB.

Relativamente nova no país, a organização é ligada à Federação Internacional de Walking Football e já realizou, desde 2019, sete eventos, mobilizou mais de 400 idosos e desenvolveu alguns projetos como o Movimenta.me, que busca proporcionar atividades físicas para os idosos em isolamento social durante a pandemia da Covid-19 de maneira online. Além disso, a WFB é parceira do Museu de Futebol de São Paulo, produzindo diversos conteúdos educativos.

Com o início da pandemia, as atividades presenciais foram paralisadas. Contudo, para 2022, a organização já tem planos de ampliar as parcerias com secretarias de esporte municipais, voltar a realizar campeonatos e eventos e de retomar os treinos do time representativo brasileiro para competições internacionais. Além disso, a WFB pretende abrir convocatória para a seleção de espaços, clubes e organizações.

Uma partida de Walking Footbal

Ainda que tenha algumas regras parecidas com o futebol convencional, o Walking Football possui características específicas. Quando praticado em uma quadra semelhante à de society, são 7 jogadores no mínimo e 9 no máximo. Agora, quando disputado no futsal, são no mínimo 5 jogadores e no máximo 7 na partida. Os jogadores são classificados de acordo com a sua idade.

Como explica Daniel Castro, diretor de redes da WFB, a modalidade possui algumas regras específicas criadas com o intuito de diminuir ao máximo o risco de lesões. Por exemplo, os jogadores não podem entrar na área do goleiro, já que ela e o gol são reduzidos, já que é comprovado que lançamentos dentro da área com pessoas dentro aumenta o risco de lesão. Além disso, a bola não pode ultrapassar a altura do peito, isso ajuda a evitar o jogador de cabecear a bola e se lesionar. E claro, não é permitido correr!

Quanto à durabilidade da partida, também é reduzida. Em partidas amistosas, são 10 minutos de jogo ou dois gols marcados pelo mesmo time. Já em campeonatos, são dois tempos de 5 minutos com intervalos.

Não é permitido correr na partida, e caso o jogador corra, ele é penalizado. | Foto: Prefeitura de Diadema | Descrição da Imagem: Na imagem é possível identificar cinco mulheres. Sendo a da esquerda com colete vermelho e a da direita com um colete azul, ela está chutando a bola. Mais ao fundo da imagem, há outras três mulheres que estão com o colete azul. A partida acontece em uma quadra de futsal.

Inclusão de idosos no esporte

O preconceito contra a população idosa ainda é uma realidade no Brasil e em diversos lugares, fazendo com que sejam excluídos de alguns setores da sociedade, como o esporte. A prática esportiva é uma ótima forma de incluir as pessoas maduras à sociedade, proporcionando uma melhora na autoestima, na socialização e no bem-estar físico e mental dessa população.

“Desde a nossa fundação, nosso propósito é levar experiências positivas aos maduros no Brasil por meio da prática da walking football e seus projetos educacionais e socioculturais. Vivemos no país do futebol e precisamos fortalecer e democratizar essa modalidade, tornando possível a valorização da diversidade, a conscientização sobre o idadismo e a participação de todos os gêneros no esporte. É preciso proporcionar às pessoas, a oportunidade de conhecer a modalidade e nossos projetos, tendo uma experiência inclusiva, divertida e saudável”, finaliza Ricardo.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

FODA

Qual a relação entre a expressão de gênero e a violência no Carnaval?

Márcio Santilli

Guerras e polarização política bloqueiam avanços na conferência do clima

Colunista NINJA

Vitória de Milei: é preciso compor uma nova canção

Márcio Santilli

Ponto de não retorno

Márcio Santilli

‘Caminho do meio’ para a demarcação de Terras Indígenas

Jade Beatriz

CONAE: Um Marco na Revogação do Novo Ensino Médio

Ediane Maria

O racismo também te dá gatilho?

Bancada Feminista do PSOL

Transição energética justa ou colapso socioambiental: o momento de decidir qual rumo seguir é agora

XEPA

Escutar os saberes ancestrais para evitar a queda do céu, o sumiço do chão e o veneno no prato

Instituto Fome Zero

MST: 40 anos de conquistas e de ideias que alimentam a esperança de um mundo sem Fome

William Filho

Legalização da maconha na Alemanha: o início de uma nova onda?

André Menezes

Os sons dos vinis: um papo com Dj Nyack, diretamente da Discopédia

André Menezes

Eu preciso falar sobre o desfile da Portela

William Filho

Minha dica ao novo secretário de Justiça

André Menezes

Tá no sangue: um papo sobre samba com os irmãos Magnu Sousá e Maurílio de Oliveira