Campeã olímpica com a seleção americana de basquete, A’ja é uma voz real e potente que busca desmistificar preconceitos.

Foto: Reprodução

Por Mariana Walsh para a NINJA Esporte Clube

A’ja Wilson possui diversas conquistas das quais pode se orgulhar. Foi a primeira escolha do draft de 2018, MVP da WNBA em 2020, acabou de se tornar campeã olímpica e tem uma estátua em sua homenagem na Universidade da Carolina do Sul (USC), onde estudou. Porém, ela sabe que a maior conquista da sua carreira é poder fazer a diferença na vida das pessoas e inspirar sua comunidade. Por isso, ela tem utilizado a sua voz para falar sobre assuntos que atingem muitos, incluindo ela, como o racismo, a dislexia e problemas com saúde mental.

Filha do ex-jogador de basquete Roscoe C. Wilson Jr, que jogou profissionalmente na Europa por mais de 10 anos, ela não pensava em seguir os passos do pai, mas isso mudou quando, ao demonstrar ter dificuldades na escola, foi diagnosticada com dislexia. A partir daí, a quadra de basquete passou a ser o lugar em que ela mais se sentia à vontade. No colégio, ganhou diversos títulos e o mesmo aconteceu quando foi jogar pela USC. Agora, jogando na WNBA pelo Las Vegas Aces, ela disputa uma vaga na final dessa temporada contra o Phoenix Mercury.

Só que além do seu talento, A’ja se destaca pelo o que faz fora das quadras. Em 2019, ela criou a Fundação A’ja Wilson, com o intuito de dar o suporte necessário a crianças com dislexia e suas famílias, enquanto trabalha para mudar a cultura estudantil buscando ajudar na luta contra o bullying. Em um depoimento para o Players Tribune sobre sua jornada com a dislexia, ela percebeu que falar abertamente sobre isso poderia ajudar muitas pessoas. E assim ela segue fazendo, se mostrando sempre o mais real possível para o mundo, porque mesmo sendo MVP, ela tem as suas batalhas, e quer que todos saibam que está tudo bem em ser frágil às vezes.

Em um outro texto escrito para o Players Tribune, a jogadora compartilhou a batalha que enfrenta contra depressão e ansiedade, e também como se sente em relação ao mito da supermulher negra. Esse conceito foi criado pela feminista Michele Wallace, em 1979, e em suma, diz que “a mulher preta é isenta de fraqueza e dor”, tendo uma força maior que uma mulher branca ou um homem.

“Como uma mulher preta, é como… fraqueza? Nós não temos tempo para isso!!!” escreveu Wilson.

Ao abrir e partilhar a sua história e suas lutas, A’ja contribui para que se pense sobre as expectativas que a sociedade impõe às mulheres, principalmente as mulheres pretas. A’ja se mostra como um ser humano normal: complexo, real, com altos e baixos. É importante entender que existem muitas “coisas” que coexistem no meio do ser, e que mostrar todas as nossas camadas e possibilidades é abraçar a essência da nossa humanidade. Independente de conseguir chegar à final da WNBA, A’ja está construindo um grande legado.

Conheça outros colunistas e suas opiniões!

Movimento dos Pequenos Agricultores

Agricultura no estado do Rio de Janeiro pede socorro

Renata Frade

Lusofonia, diversidade e inclusão de gênero marcam nova comunidade feminina tecnológica  

Talles Lopes

Cultura: o que fazer diante do tsunami Omicron… 

Aquiles Marchel Argolo

Confinada: um diário obrigatório

Amanda Gondim

Desastres ambientais e a violação dos direitos humanos

Colunista NINJA

BBB e racismo

Colunista NINJA

2022: Estado de Emergência Cultural

Colunista NINJA

A imagem que revela outro Brasil possível

Campanha em Defesa do Cerrado

Dor, indignação e admiração: forças-correntezas presentes na Audiência das Águas

NINJA

O extremo como banalização da vida

Márcio Santilli

Bolsonaro quer pretexto para escapar da derrota

Juan Manuel P. Domínguez

U'wa, guardiões da nossa mãe terra

Amanda Pellini

O tecnicismo da medicina atual e os cuidados paliativos

Bruno Trezena

Não olhe para cima! (versão Brasil)

Márcio Santilli

Chegou a hora da verdade climática