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Por Álvaro Lima para a cobertura colaborativa da NINJA Esporte Clube

A história da participação africana dentro dos jogos olímpicos é relativamente curta em comparação aos demais continentes. Sendo o perfeito reflexo de sua história social e política tão marcada pela ocupação, colonização e exploração europeia no final do século XIX e até meados do século XX. Ocupação essa que não reconhecia nos povos africanos um Estado de direito. Estes eram tidos apenas colônias e que por serem colônias, estavam dentro de algum grande império “civilizado europeu”. Logo, os habitantes destas localidades não tinham como opção de vida o ato desportivo. Seu dever como africano, ou sua obrigação como colonizado, era fornecer os materiais que a metrópole requisitava. Sem esquecer que essas requisições muitas vezes vinham na forma de uma violência extrema.

Essa contextualização se faz necessária na medida em que a participação inicial de africanos nas Olimpíadas estará relacionada de modo direto com um dos maiores colonizadores da África: a Inglaterra. Mas não foi porque os ingleses eram “bonzinhos” e estimularam os habitantes de suas colônias a praticarem atividades desportivas, enquanto que franceses, alemães, belgas, holandeses, italianos, espanhóis e portugueses seriam apenas colonizadores opressores que impediriam a atividade esportiva nas suas respectivas colônias africanas.

Os primeiros atletas africanos que participaram dos jogos olímpicos foram dois soldados que lutaram contra os ingleses durante a segunda guerra dos bôeres. Conflito esse que findou em 1902 e determinou a anexação do que é hoje a África do Sul dentro do império britânico. Porém, em 1904, alguns soldados derrotados foram levados para os Estados Unidos para participar da Feira Mundial de Saint Louis na condição de atores de uma peça teatral que encenaria a vitória inglesa sobre os locais africanos. Feira essa que tinha mais prestígio do que os jogos olímpicos e que ocorreria quase que no mesmo período. Observando que os jogos olímpicos aconteceram de 01 de julho até 23 de novembro daquele ano.

Os jogos olímpicos ocorriam de maneira bem informal e com menos visibilidade que a Feira Mundial e foi exatamente por causa dessa informalidade que a Maratona que fecharia o evento contava com poucos participantes. Surgindo a ideia de convidar dois “atores” (prisioneiros) africanos para completar o número de atletas. Foi então que Len Taunyane e Jan Mashiani foram os inscritos e se transformaram nos primeiros atletas africanos a competirem numa edição de Olimpíada. Apesar de que eles nem atuaram pela bandeira sul-africana. Inclusive porque nem existia uma bandeira sul-africana ou sequer um país. Defendendo as cores e a bandeira da Grã-Bretanha.

O pouco que se sabe destes “atletas” é que Len Taunyane serviu como mensageiro durante o conflito contra ingleses e que, por isso, estava habituado a correr distâncias consideráveis, conseguindo finalizar a prova em nono lugar mesmo correndo descalço. Pouco se sabia de sua vida anterior ou posterior. E tampouco se sabe sobre a vida de seu colega. A nota triste que merece ser registrada é de que eles foram os únicos atletas sul-africanos negros a atuar em uma edição dos jogos olímpicos até que o regime do apartheid fosse encerrado.

Teve início assim a participação africana nos jogos olímpicos, que só contou com a participação de um país independente em 1932, curiosamente também nos Estados Unidos, com a participação da União Sul Africana que tinha se tornado independente do governo britânico no ano anterior. Observando que o Egito participou de jogos olímpicos desde 1912 em Estocolmo, porém era uma colônia do império otomano e posteriormente ficou sobre administração e proteção inglesa.

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