Dois homens, um à direita de camiseta branca, calça branca com linhas vermelha, azul e verde na lateral e um chapéu de cor branca com detalhes em verde e vermelho, segurando um placa preta com a palavra Afeganistão escrito em amarelo. Já o homem à esquerda veste camisa azul e um shorts cinza e carrega a bandeira do Afeganistão.

Entrada da bandeira do Afeganistão durante abertura da Paralimpíadas em homenagem aos atletas que não puderam estar lá – Foto: Xinhua/Zhang Cheng

Por Daniel Dias

As Paralímpiadas de Tóquio 2020 contam com a presença de 162 nações, três a menos que em Londres, recorde em participações. Cinco países são estreantes nos jogos: Paraguai, Butão, Granada, São Vicente e Granadinas e Maldivas.

Por outro lado, infelizmente, por questões políticas internas, pela pandemia do coronavírus e pela proibição do próprio comitê paralímpico, outros 20 países não estão presentes. Por decisão do CPI, Sudão, Seychelles, Djibuti e Comores foram proibidos de participarem dos jogos deste ano. Enquanto Andorra, Antígua & Barbuda, Liechtenstein e San Marino não conseguiram atletas para competir. Além desses, temos aqueles que por questões políticas e epidêmicas tiveram que abdicar da participação. 

Por conta do aumento de casos de Covid-19 na Austrália, o governo local decidiu endurecer as regras de isolamento, obrigando que todos os turistas que passam pelo país fiquem, no mínimo, duas semanas em quarentena, o que dificultou a viagem das  confederações de Samoa, Kiribati, Tonga e Vanuatu que não teriam condições suficientes para bancar seus atletas durante a viagem de ida e volta pela Austrália.

“São pequenos Comitês Paraolímpicos Nacionais e simplesmente não têm os recursos para fazer frente a essas despesas, infelizmente foram retirados”, explicou Craig Spence, membro do CPI, em comunicado. Por conta disso, os países decidiram renunciar sua participação nos jogos paralímpicos deste ano.

Já Myanmar tem um caso diferente e mais complicado, pois envolve questões políticas internas. O exército local realizou um golpe militar retirando do poder a então líder, Aung San Suu Kyi, e assumindo completamente o local, causando uma onda de terror entre a população que protestava contra o caso, enquanto os militares respondem com assassinatos, já ultrapassando a marca de 400 mortos.

Porém, um caso de alegria surgiu em meio às paralimpíadas deste ano em relação aos participantes. No início do evento era imaginado que o Afeganistão não tivesse nenhum atleta disputando a competição por conta do terror que, novamente, tomou conta do país na última semana, quando o grupo radical, Talibã, invadiu e retomou o poder sobre a nação, restaurando suas leis abusivas contra a população que tentou fugir do local. Até havia sido dito que dois atletas afegãos haviam conseguido escapar do país em direção a Austrália porém não participariam dessa edição das paralimpíadas por questões de segurança física e psicológica, já que passaram por situações anormais durante a última semana.

Para homenagear os atletas e população que sofrem na mão do talibã, o CPI havia entrado com a bandeira do país na cerimônia de abertura, representando a confederação do país.

“Esforços foram feitos para retirá-los do Afeganistão e agora estão em um local seguro”, disse Spence”. Não vou dizer onde estão porque não se trata de esporte, e sim de vidas humanas. Precisamos proteger as pessoas”, Entretanto, na manhã de sábado (28/09), foi noticiado que ambos estariam disponíveis para competição, sendo eles Zakia Khodadadi do taekwondo feminino e Hossain Rasouli do atletismo 400m rasos T47.

Os outros países que completam a lista dos quais abdicaram a participação são: Brunei, Coreia do Norte, Turcomenistão Timor Leste, Trinidad e Tobago, Macau e Suriname.

Texto produzido em cobertura colaborativa da NINJA Esporte Clube

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