Foto via @expedicaokaterre

Muitas memórias marcam a região do Rio Negro. Dos petroglifos pré-colombianos deixados por povos que há centenas de anos passaram pela região a povoados que foram transformados pelo tempo, alguns hoje desabitados, como é o caso de Velho Airão, antiga cidade localizada na Foz do Rio Jaú com o Rio Negro, a 180 km de Manaus, que outrora foi uma cidade de referência e hoje tornou-se um museu ameaçado a céu aberto.

Fundada pelos jesuítas em 1694, segundo registros, foi o primeiro povoado formado por portugueses e a mais antiga cidade do interior do Amazonas. Conta-se que no começo, padres missionários passaram a viver no povoado, dependendo principalmente da caça e da pesca. Ao longo desses primeiros 200 anos de existência, Velho Airão foi uma cidade pobre, que não tinha nenhuma expressão na região.

Seu auge se deu no período da borracha, entre 1880 e 1914, quando a Amazônia foi transformada em um centro de produção e exportação de borracha. É deste período que datam parte dos casarões construídos com materiais importados de Portugal. Entre os prédios mais conservados, segundo revelou o Jornal do Brasil, estão a antiga taberna e a casa de comércio da família Bezerra, datada de 1950.

Hoje as várias construções padecem em ruínas, grande parte delas tomadas pelo avanço da mata, que sem cuidados adequados por parte do Estado, mesmo após seu tombamento pelo IPHAN, em 2005, se deteriora a olhos vistos.

Através das ruínas dos casarões, no entanto, ainda é possível observar traços do povoado que ali habitou, um monumento em homenagem ao navegador neozelandês Peter Blake, que por lá teria pernoitado antes de morrer, além da floresta de árvores frutíferas deixadas pelos antigos e o cemitério com lápides de diferentes gerações que por ali passaram ao longo dos anos de 1800 em diante.

Conhecendo um pouco da história dos personagens que ali viveram como a rica Família Viana, que pouco se sabe sobre eles, ou do então mandatário Francisco Bezerra, e vendo suas lápides, é impossível não refletir sobre a força etérea do tempo e quão efêmera a vida é diante das tantas histórias que se sobrepõem naquele chão antigo Rio Negro da Amazônia.

Um pouco mais do que vimos pode ser conferida no vídeo que segue junto a esta publicação.

Visitamos o Velho Airão durante a Expedição Katerre, que ocorreu entre 09 e 15 de março, na região do Rio Negro, no Amazonas.

Com Jornal do Brasil e Aventuras na História.