Segundo o relatório do TCU, a Combat Armor era uma “empresa de papel” nos Estados Unidos até o início de 2019, quando passou a operar no Brasil para concorrer em licitações

Foto: Daniel Marenco

Uma investigação conduzida pelo Tribunal de Contas da União (TCU) revelou fortes indícios de corrupção durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O foco inicial foi em contratos entre a Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal (PF) e Ministério da Defesa para aquisição de viaturas blindadas da empresa Combat Armor.

De acordo com o TCU, a Combat Armor, uma empresa vinculada a Daniel Beck, um apoiador proeminente de Donald Trump nos Estados Unidos, obteve um faturamento expressivo de 39 milhões de reais durante o governo Bolsonaro. O Tribunal apontou que os contratos foram direcionados à Combat de forma fraudulenta, com a conivência de agentes públicos na gestão bolsonarista.

O ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal na administração bolsonarista, Silvinei Vasques, foi preso por seu envolvimento em irregularidades durante o período eleitoral, quando o órgão que comandava foi utilizado para tumultuar a votação no país com o objetivo de favorecer Bolsonaro. O TCU sugere que além de beneficiar a Combat, Vasques pode ter recebido propina durante sua gestão na PRF.

Segundo o relatório do TCU, a Combat Armor era uma “empresa de papel” nos Estados Unidos até o início de 2019, quando passou a operar no Brasil para concorrer em licitações. A investigação revelou que a empresa utilizou documentos falsos e contou com a colaboração de indivíduos ligados ao governo Bolsonaro para fraudar concorrências e inflacionar contratos. Ao todo, a Combat faturou 33,5 milhões de reais na PRF, 2,9 milhões de reais na PF, e 273.000 reais no Ministério da Defesa.

O TCU destacou ainda a existência de “repasses financeiros da Combat a empresas ligadas a agentes públicos envolvidos nos processos de contratação, com o possível objetivo de beneficiá-la”, caracterizando tais transações como propina.

Em relação à conduta de Silvinei Vasques, o TCU apontou um possível favorecimento à Combat Armor nas contratações realizadas pela PRF, observando que “as unidades da PRF que mais destinaram recursos à Combat Armor coincidem com as regiões onde Vasques exerceu influência significativa”.