Foto: Anderson Riedel/PR

A proposta de unificar as filas entre redes públicas e privada para as UTIs no Brasil tem ganhado adeptos em diversos setores da saúde e já há propostas no legislativo em meio à crise sanitária do país. O ministro Nelson Teich, da Saúde, contudo, em sua primeira declaração sobre o assunto, já demonstrou resistência. “É um assunto complexo”, disse.

O ministro já foi criticado em outras ocasiões por privilegiar a saúde financeira do setor privado, onde tem experiência, em detrimento da saúde dos próprios brasileiros, especialmente os mais pobres. A declaração sobre a fila única só reforçou essa crítica.

Teich afirmou que precisaria estudar o assunto mas de todo modo, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (6), afirmou que o que vem se discutindo não seria fila única, mas “incorporar leitos do serviço privado”. Para o ministro, o assunto é complexo e exige negociação e cooperação entre as redes públicas e privadas quando o SUS chegar ao seu limite. Em alguns estados, contudo, o limite já foi ultrapassado e a rede pública zerou o número de leitos disponíveis.

“A gente tá discutindo uma forma de funcionar do país, isso vai além da saúde. É como as pessoas de fora vão olhar pra gente, isso tem muito mais implicações do que a Covid”, disse o ministro.

Em sua coluna para a Mídia NINJA, a deputada federal Sâmia Bomfim e a psicóloga Luana Alves afirmam que o SUS administra 44% do total de leitos hospitalares do país, mas, em contraste com isso, atende cerca de 160 milhões de brasileiros, o que equivale a 75% de nossa população. “Em contrapartida, a rede privada hospitalar dispõe de 56% dos leitos hospitalares, atendendo só 25% dos brasileiros. O resultado disso é palpável. Já se nota que as taxas de mortalidade são bastante mais elevadas nas periferias pobres”.

Junto ao PSOL, foi apresentado o Projeto de Lei 2333/2020 para a unificação das filas. Pelo PCdoB, o deputado federal Orlando Silva também apresentou o Projeto de Lei 2176/2020 para unificar as filas sob coordenação do SUS, atendendo a critérios de gravidade do paciente e a ordem cronológica.