Seca sem precedentes no Rio Madeira, em Porto Velho, obriga paralisação da quarta maior hidrelétrica brasileira

Foto: Defesa Civil Amazonas

Por Isabella Rodrigues

Nesta segunda (2), a hidrelétrica de Santo Antônio, localizada em Rondônia e a quarta maior do país, anunciou a interrupção temporária de suas operações devido aos alarmantes níveis de vazão do rio. A região tem vivenciado uma seca histórica nos últimos meses, com os níveis do rio Madeira chegando a estar 50% abaixo da média histórica.

Essa seca tem causado preocupações tanto na geração de energia quanto na disponibilidade de recursos hídricos para a região. Desde agosto, o nível do rio tem declinado rapidamente, com um recuo de mais de um metro em menos de uma semana entre o final de agosto e o início de setembro. A Defesa Civil já alertava para a iminência de uma seca histórica, registrando, em setembro, o menor nível da história do rio em Porto Velho. Diante dessa situação crítica, a usina hidrelétrica de Santo Antônio não tem previsão para retomar suas operações.

A seca fora do comum na região amazônica é preocupante e é efeito da crise climática exacerbada pelo fenômeno climático El Niño e pelo aquecimento do Atlântico Tropical Norte. Combinados, esses fatores inibem a formação de nuvens de chuva, prolongando a seca e causando a diminuição das chuvas na região.

“O evento do Atlântico Tropical Norte está se somando ao El Niño. Dois eventos ao mesmo tempo são preocupantes. Tivemos isso entre 2009 e 2010, que foi a maior seca registrada na bacia do rio Negro nos últimos 120 anos”, disse o meteorologista Renato Senna, responsável pelo monitoramento da bacia amazônica no Inpa, em entrevista ao G1.

Atualmente Porto Velho está em estado de alerta por conta da seca, assim como 15 cidades do Amazonas. O impacto da seca é sentido não apenas na geração de energia, mas também na vida das comunidades ribeirinhas, que dependem da água dos rios para diversas atividades.