A rápida elevação do nível do lago é resultado das chuvas nas bacias dos rios próximos e dos ventos do quadrante Sul, provocados por um ciclone extratropical na costa

Vila dos Pescadores é o local é o mais afetado pelas chuvas em Tapes | Foto: Adan Bunilha / Defesa Civil

As incessantes chuvas que têm assolado o Rio Grande do Sul ao longo de setembro já deixaram mais de 130 desabrigados e estão deixando um rastro de destruição em Porto Alegre, a capital do estado. Na manhã desta quarta-feira (27), a cidade presenciou um evento raro quando o Cais Mauá, localizado no coração da metrópole, foi submerso pelas águas do Guaíba.

Este fenômeno, que só ocorreu três vezes nos últimos 80 anos, e foi causado por uma elevação do nível do Guaíba para 3,17 metros, ultrapassando em 17 centímetros o limite crítico de 3 metros para extravasamento na região. Comportas foram fechadas para evitar que as águas atinjam, principalmente, a região central.

A rápida elevação do nível do lago é resultado das chuvas nas bacias dos rios próximos e dos ventos do quadrante Sul, provocados por um ciclone extratropical na costa.

Segundo a MetSul Meteorologia, a cidade já superou os recordes de precipitação da grande enchente de 1941, tornando setembro o mês mais chuvoso da história climática da cidade. O cenário se agravou em bairros da zona Sul de Porto Alegre, onde não existe um sistema de contenção de cheias, e o Guaíba transbordou em múltiplos pontos, levando à evacuação de moradores pela Defesa Civil.

Para 2023, por exemplo, a previsão orçamentária para o aparelhamento da Defesa Civil foi de apenas R$ 100 mil reais. Tinha sido de R$ 1 milhão em 2022. Já o valor previsto para Gestão de Projetos e Respostas a Desastres Naturais passou de R$ 6,4 milhões no orçamento de 2022 para R$ 5 milhões em 2023.

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