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“Essa é uma decisão perigosa e que pode ter o potencial de gerar um genocídio para a população de indígenas isolados”, disse relatora da ONU para o direito dos povos indígenas, Victoria Tauli-Corpuz, que criticou a decisão do governo brasileiro de nomear o líder evangélico Ricardo Lopes Dias para chefiar a coordenação de índios isolados da Funai. Em entrevista à Jamil Chade, ela pediu que a administração de Jair Bolsonaro reavalie a escolha e que desista do nome de Dias para o cargo.

Victoria Tauli-Corpuz é consultora de desenvolvimento e ativista indígena internacional da etnia Kankana-ey Igorot. Em 2 de junho de 2014, ela assumiu responsabilidades como terceira relatora especial da ONU sobre os direitos dos povos indígenas.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública nomeou nesta quarta-feira (5), o pastor evangélico para o cargo de coordenador-geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Diretoria de Proteção Territorial da Fundação Nacional do Índio (Funai). A nomeação é assinada pelo secretário executivo da pasta, Luiz Pontel de Souza, e está formalizada no Diário Oficial da União (DOU).

O setores é um dos mais sensíveis do órgão, justamente por lidar com situações de extrema vulnerabilidade das tribos. “Estou preocupada com a nomeação”, disse Victoria. “Existe um histórico muito ruim de grupos evangélicos mantendo contatos ilegais com povos isolados”, alertou, lembrando que tal comportamento já foi registrado no Brasil, Equador e Peru.

O pastor Ricardo Dias Lopes é acusado por parte de lideranças indígenas de ter atuado em entidades cujo objetivo é evangelizar tribos. Ele era um dos missionários da Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), organização missionária de origem norte-americana.