Foto: Mateus Sá

A banda Qampo (@qampo_) acaba de lançar seu primeiro disco de estúdio “Ao Espírito da Hora Passada”. O álbum tem produção musical de Fábio Trummer (Eddie), Pedro Bettin e Cacau Lamaia (Secreto Estúdio).

Na bagagem sonora da Qampo nota-se uma miscelânea de referências distintas, reflexo direto do pluralismo estético que conduz os processos criativos da banda desde a sua fundação em 2015.

“Eu e Pedro [Laporte – bateria, samples e percussões] somos amigos de colégio e já tivemos outros projetos por aí. Com o tempo as coisas foram mudando, algumas coisas deixaram de ser, mas eu e ele continuamos sempre tocando. Primeiro como hobby, depois já amadurecendo algumas ideias de composição e gravação também”, explica um dos compositores e vocalistas da Qampo, Rafael Zimmerle.

“Anos mais tarde, por volta de 2015, eu conheci o Beró [Ferreira – guitarra e voz] e encontramos várias afinidades estéticas entre nós. Ele passou a integrar a banda naquela época e um tempo depois, entre 2021 e 2022, chegaram o Marco D’Almeida (baixo) e o Rafael Durão (guitarra, violão, voz, piano e synth) pra fechar o time”, explica Rafael Zimmerle.

“Ao Espírito da Hora Passada” traz 9 faixas ao todo, uma delas já conhecida do público, “Leão de Fogo, Galo de Briga”, divulgada como single semanas atrás.

Foto: Mateus Sá

“Acho que o disco surgiu da vontade de todos nós da banda de fundir nossas diversas influências musicais, combinando elementos do pop e do rock com a música brasileira, pontuados pelas influências culturais da nossa terra, onde crescemos imersos em cultura pulsante”, aponta Zimmerle.

Nesta parte, a banda frisa a participação dos produtores Pedro Bettin e Cacau Lamaia, que conseguiram agregar bastante aos arranjos. De acordo com Zimmerle, “eles souberam comprar nossas doideiras e implementá-las nas gravações”.

O produtor Bettin comenta que realizar musicalmente uma ideia é, muitas vezes, “fácil, instintivo, vem das inúmeras referências que permeiam nossas construções artísticas. Já experimentar o não-óbvio, tanto no sentido musical quanto lírico, não é simples e acrescento esse mérito à banda. Foi algo que me conquistou nessa parceria”.

Para Lamaia, o sentimento é parecido. “Trabalhar ao lado de pessoas geniais é uma aventura emocionante. Ver os meninos fazendo da criatividade a matéria-prima para essa construção foi o que mais cativou o projeto do começo ao fim. A naturalidade e sensibilidade na implementação das ideias do disco, bom, conduzir o barco fica fácil quando a tripulação já içou as velas”.

Na parte temática de “Ao Espírito da Hora Passada”, quem dá a letra é o outro compositor e vocalista da banda, Beró Ferreira. “Este álbum traz um eu-lírico muito consciente de si e com um olhar que busca resolução”, completa o artista. “É um indivíduo que está mirando a janela entre o ser e estar no mundo. Por isso a janela da capa. Ela aparece aqui sempre como um canal de comunicação”.

Apadrinhados por Fábio Trummer quando ainda estavam na fase de demos, os rapazes do Qampo reconhecem a importância do músico nos primeiros movimentos de estúdio do grupo. “Ele deu um ‘start’ nas coisas, teve uma participação relevante na gravação”, continua Beró. “Fábio trouxe convidados especiais para o estúdio e desse jeito fomos materializando o que realmente queríamos, abrindo diálogos entre as nossas referências com as desse pessoal e do próprio Fábio também”, ele diz.

Para Fábio, “esteticamente, a banda me lembrou a música brasileira do fim dos anos 1970, começo dos anos 1980. Não se trata de saudosismo nem de uma cópia da musicalidade dessa época, a Qampo tem uma pegada contemporânea forte e uma identidade única que faz com que soe vanguardista”, ele prossegue. “Minha contribuição não foi musical, já que a banda tem sua musicalidade muito definida. Meu trabalho foi o de dirigir as sessões de gravação para otimizar o tempo e extrair ou acentuar suas características próprias”, ressalta Fábio.

Com ecos do Movimento Udigrudi, que marcou o Recife dos anos 70 com muito rock e lisergia, o som da Qampo também reverbera sintonias mais contemporâneas, como alguns elementos emprestados do rock alternativo e do new wave, além de,  naturalmente, fontes diversas inscritas na música brasileira contemporânea. A Qampo produz um som que não busca rótulos pré-determinados e, ao mesmo tempo, celebra e valoriza todas as referências que trouxe a banda até aqui.

“Acredito que estamos buscando realizar uma música brasileira com elementos universais. O rock pernambucano setentista está presente no disco inteiro, mas, ao longo da jornada, a Qampo mergulhou em caminhos mais pop, quase um new wave… A gente quis sair do mundo regional e expandir isso em direção a um som mais plural e pop. Nossa intenção era produzir algo que as pessoas possam ouvir e dançar”, conclui Rafael Zimmerle.