A Arquidiocese de São Paulo afirmou que o pároco tem sido vítima de uma campanha difamatória de cunho político por parte de indivíduos ligados à direita

Foto: Rafael Stedile

Após uma onda de falsas acusações e a circulação de vídeos manipulados com o intuito de difamar o Padre Júlio Lancellotti, a Arquidiocese de São Paulo afirmou que o pároco tem sido vítima de uma campanha difamatória de cunho político por parte de indivíduos ligados à direita política, que têm divulgado vídeos contra o religioso.

Segundo a nota divulgada pela Arquidiocese, a “notícia de um suposto novo fato de abuso sexual” e a “recente divulgação de laudos periciais com resultados contraditórios” sobre um vídeo com supostas imagens do padre “requerem uma nova investigação por parte da Arquidiocese para a busca da verdade”.

Padre Júlio Lancellotti, reconhecido por seu importante trabalho de atendimento e acolhimento da população em situação de rua e grupos marginalizados, também se pronunciou por meio de nota publicada em suas redes sociais.

“Recebo, com serenidade e paz de espírito, a nota da Arquidiocese de São Paulo, publicada na presente data, informando que apura as acusações lançadas nos últimos dias. Esclareço que as imputações surgidas recentemente – assim como aquelas que sobrevieram no passado — são completamente falsas, inverídicas e tenho plena fé que as apurações conduzidas pela Arquidiocese esclarecerão a verdade dos fatos.”

O pároco ainda reforça a denúncia de uma rede de desinformação com interesses políticos e econômicos, com o objetivo de “ceifar aquilo que é o sentido do meu sacerdócio: a luta pelos desamparados e pelo povo de rua.”

Uma perícia realizada por Mário Gazziro, da Universidade Federal do ABC, apontou que não se trata do Padre Júlio Lancellotti em um vídeo divulgado por parlamentares de direita.

Gazziro, especialista em engenharia de informação, destacou que a análise minuciosa refutou um laudo anterior encomendado pelo vereador Rubinho Nunes (PL), autor do requerimento para abertura da CPI contra Lancellotti. O perito ressaltou a utilização de tecnologias avançadas para detectar deepfakes, enfatizando que a manipulação de vídeos é um crime que não pode ser tolerado.

A falta de fundamentos legais e a presença de elementos que sugerem manipulação dos acontecimentos foram destacadas pela defesa do padre Júlio Lancellotti, que negou veementemente as acusações, caracterizando-as como parte de uma campanha difamatória.

Apesar dos indícios de notícia falsa, os deputados federais Nikolas Ferreira e Gustavo Gayer, do partido de Jair Bolsonaro, o PL, intensificaram a campanha de desinformação.

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