14 anos após a criação política estadual de mudanças climáticas, movimentos monitoram que nada saiu do papel. Sem plano de adaptação climática, RJ é recordistas em mortes por desastres ambientais

Foto: Fernando Frazão – Agência Brasil

 

“Chuva não mata, omissão sim” conta com mais de 110 assinaturas de organizações e movimentos, que organizam também neste sábado (27) um ato na frente do Palácio Guanabara (RJ) 

Organizações e movimentos sociais lançam neste sábado (27), o manifesto Chuva não mata, omissão sim, com mais de 110 assinaturas de organizações como Coalizão Negra por Direitos, Movimenta Caxias, Casa Fluminense, Greenpeace Brasil, PerifaLab e Coalizão O Clima É de Mudança, denunciando o ciclo de negligência do poder público diante das fortes chuvas no Rio de Janeiro, que vitimou, nas últimas semanas, 12 pessoas e afetando diretamente a vida de mais de 100 mil moradores de favelas e periferias do Estado. Um ato também foi agendado para este sábado, pela manhã, em frente ao Palácio Guanabara. 

 A ativista ambiental e integrante da Coalizão O Clima é de Mudança, Marcele Oliveira, explica que o ato surgiu como uma resposta da periferia que não aguenta mais perder tudo a cada chuva: “O descaso do poder público com as famílias e com as intervenções no meio ambiente são absurdos que não podem passar impunes. Além de reparação, queremos medidas preventivas para que a tragédia não atinja mais territórios. O Rio de Janeiro não é a Disney, é lugar de gente trabalhadora, pessoas que atravessam a cidade todos os dias para conquistar seus bens materiais e não podem mais perdê-los para falta de responsabilidade do governo perante a crise climática”.

Dados do Mapa da Desigualdade da Casa Fluminense mostram que o Rio de Janeiro é responsável por dois terços das mortes causadas por eventos extremos ambientais no país, entre os anos de 2010 e 2018, representando 1.263 mortes. Somente nos últimos anos, o Estado teve mais de dois milhões de pessoas afetadas pelos eventos climáticos. Portanto, movimentos sociais de favelas e periferias cobram respostas à omissão do governador Cláudio Castro, que no momento das chuvas, se encontrava em férias na Disney.

O coordenador geral da Casa Fluminense, Vitor Mihessen afirma que o diagnóstico das pesquisas é fruto de uma série de descasos no planejamento dos governos: “Estamos denunciando um ciclo de omissão completo do Rio. Os acontecimentos dos últimos dias reforçam a urgência de ações de enfrentamento ao racismo ambiental, para que os moradores de favelas e periferias não sejam mais colocados em risco pelas fortes chuvas. Mas, nem o governo estadual nem as prefeituras dos municípios da metrópole avançaram em ações efetivas. O resultado disso está nas ruas desses territórios. Famílias perderam entes queridos, a casa, móveis e estão em mais um janeiro precisando começar do zero” afirmou Mihessen. 

O manifesto será entregue e protocolado no governo do Estado e pede pela criação do Plano Estadual de Adaptação às Mudanças Climáticas, a estruturação do Fundo Estadual de Enfrentamento às Mudanças Climáticas, a abertura de um Conselho Estadual de Enfrentamento às Mudanças Climáticas com participação social, além da expansão do apoio aos municípios no enfrentamento aos desastres com fortalecimento dos sistema de monitoramento das chuvas. Está confirmada a presença do Deputado Federal Henrique Vieira (PSOL), e dos vereadores da capital: Mônica Cunha, Thais Ferreira e Tarcísio Motta, todos do PSOL.

Leia o manifesto Chuva não mata, omissão sim  

Ato – Intervenção Enchentes no RJ: O que mata não é a chuva, e sim a omissão do governo

Dia: 27/01/2014 (Sábado)

Horário: 10h

Local: Na entrada do Palácio Guanabara – R. Pinheiro Machado, s/nº – Laranjeiras, Rio de Janeiro – RJ