Por Luiz Vieira

Helleno é um fenômeno. Um talento ímpar. Uma feliz descoberta. Um artista nato. Despontando como uma das vozes mais vibrantes da sua geração, o cantor, ator e compositor paulista de 32 anos venceu a edição 2023 do programa ‘Canta Comigo’, da Record TV. No mesmo ano, batizou de vez a banda que tinha com os amigos e que há mais de quatro anos já agitava – de forma independente – o cenário underground da cidade de São Paulo. Assim, nasceu a Helleno & Os Universais, com Rodrigo Padin, Vitor Hernandes, Rodrigo Rosário e Marcos Wilder. A banda busca manter a essência da versatilidade do que foi, é e pode ser a música popular brasileira.  

Homem gay cisgênero não normativo, o multiartista reforça a importância da empatia com as pautas da comunidade para se criar uma rede de apoio mais segura e atenta às questões contemporâneas da sociedade. “É preciso que dentro de cada pessoa LGBTQIAPN+ exista entendimento de quem somos, dos nossos direitos”, salienta.

Na coluna de hoje, Helleno também fala sobre carreira, sonhos, espaços ocupados e, claro, a pauta LGBTQIAPN+. 

Com vocês,  o vistoso pássaro, Helleno Jr:

 

Meu querido, como surgiu a sua paixão pela música e quais são as suas maiores referências?

Quando senti, na infância ainda, que a música estava comigo em tudo que eu fazia por todos os lados, nunca estive sozinho. A adolescência é um período de muita solitude, quase ninguém te entende, nem você mesmo. São muitas mudanças por segundo, e ouvir música era minha forma de conexão comigo e com as pessoas. Deu certo! A música é a maior verdade que já contei pra mim ou pra alguém. São muitas as minhas paixões: na música, na música brasileira… sou apaixonado pelo Clube da Esquina e a Tropicália, sou fã também de MPB, Rock dos anos 1990, Titãs, Adriana Calcanhoto, Cássia Eller, Marisa Monte. Sou fã de Rock e Heavy Metal internacional e nacional: Angra, Sepultura, Iron Maiden, Black Sabbath. E música pop: Madonna, Michael Jackson, Stevie Wonder, Lady Gaga, Beyoncé. Gosto de ser surpreendido na música.

 

O que te move?

Minha paixão pela vida, pelas pequenas demonstrações de amor, que são grandiosas no coração e na memória; amo meus sobrinhos e meus amigos. Meu pai e minha irmã e a forma deles demonstrarem amor que se tornou um prazer pra mim. Eu amo fazer as coisas por prazer e amor. Se não tem nenhuma dessas coisas e eu topar, estou certo que vou sofrer.

 

Como surgiu o grupo Helleno & Os Universais?

Os Universais já existiam, mas não tinham nome. Foi algo natural, a banda sempre funcionou com todos contribuindo e o nome veio pelo entendimento da diferença somática dos membros. Se somos oceanos, Os Universais é o encontro de mares que deságua na música.

Foto: @patricktenorio

Como foi participar do programa “Canta Comigo”, da Record TV?

Uma escola. A música é a verdade que nunca mente e quando se acredita em algo assim é como um grande amigo que lhe pega pela mão e te leva pra um lugar que você nem sabe onde é, porém você aceita, pois sabe que vai dar bom. A música me levou pra esse reality, me deu espaço, voz e canto, me deu a chance de estar pronto na hora certa, no tempo certo; foi algo que eu posso chamar de jornada do herói, pois fui eliminado na primeira apresentação e tive a chance de voltar em uma repescagem, provando que a segunda vez também é a vez de brilhar, e dessa forma cheguei na final da competição até levar o prêmio! Me senti aliviado e reconhecido por todo trabalho que já vinha fazendo há anos de forma independente na cena de São Paulo.

 

Você acha que as pautas da comunidade LGBTQIAPN+ avançaram no Brasil?

Eu vejo avanço e ainda vejo muita luta. Vejo que as pessoas hoje têm mais respeito ou medo de se meter com a gente, porém isso é um recorte. É preciso que dentro de cada pessoa LGBTQIAPN+ exista entendimento de quem somos, dos nossos direitos e ter apoio mesmo que inicial de toda comunidade para que nasça amor próprio e reconhecimento de quem somos, de que podemos ser e estar em qualquer lugar. A partir disso, ninguém tira mais nossa força de viver porque assim temos propósito e sabemos da nossa importância na sociedade. Isso vem quando nos vemos representados nas ruas e nos programas de TV ou em qualquer lugar. Nós LGBTQIAPN+ nascemos com a alcunha de sobreviver e a insistência do CIStema de nos colocar à prova de que somos capazes de ocupar cargos e gerir famílias. No momento em que nos livramos dessa culpa que nos foi atribuída, conseguimos seguir em busca de sermos melhores enfim para nós mesmos.