Lula fez a declaração após o poeta pernambucano Antônio Marinho iniciar o evento declamando dois poemas destacando o momento histórico do retorno da conferência

Foto: Valeter Campanato/Agência Brasil

“Ontem o Caetano Veloso levantou a bandeira da Palestina. Vocês estão lembrados, há 20 dias, como eu apanhei pelo que eu falei da Palestina. Com o tempo, a gente vai provar que eu estava certo. O povo palestino tem o direito de viver, de criar o seu país”, afirmou Lula durante a abertura da Conferência Nacional de Cultura, após um hiato de 10 anos. “Você não pode anunciar comida e mandar torpedo, mandar morte para aquelas pessoas”, disse.

Lula fez a declaração após o poeta pernambucano Antônio Marinho iniciar o evento declamando dois poemas destacando o momento histórico do retorno da Conferência. Durante sua fala, ele ergueu uma bandeira da Palestina e gritou: “Viva o povo palestino livre e soberano”, e foi aplaudido de pé.

Lula foi um dos primeiros líderes mundiais a classificar o que ocorre em Gaza como um “genocídio”. O primeiro-ministro de Israel, o líder de extrema-direita, Benjamin Netanyahu, rapidamente reagiu, e classificou as declarações de Lula como “vergonhosas e graves”, enquanto o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, foi ainda mais longe, rotulando Lula como “persona non grata” em solo israelense até que ele retirasse suas palavras.

Diante da recusa de Lula em se retratar, o governo brasileiro tomou medidas diplomáticas retaliatórias, convocando seus representantes em Israel para consultas e solicitando explicações do embaixador israelense no Brasil. O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, também condenou a postura de seu colega israelense. Nenhum país saiu em defesa de Israel nas críticas ao presidente brasileiro, e, a partir das declarações de Lula, dezenas de líderes mundiais reforçaram um pedido de cessar-fogo em Gaza, e entrega segura de ajuda humanitária.

Durante o evento, Lula criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro por pedir uma “anistia” aos condenados do 8 de janeiro. Bolsonaro está sendo investigado por planejar um golpe de Estado após sua derrota nas eleições de 2022. “Aquele ato é de um cidadão que sabe que fez caca, que sabe que fez uma burrice, que sabe que tentou dar um golpe e que sabe que irá para a Justiça e que será julgado. E se ele for julgado, ele pode ser preso e está tentando escapar”, disse.