Foto: Athletico-PR / Divulgação

Por Patrick Simão do Além da Arena

No dia 24 de fevereiro de 2024, o ex-jogador de futebol Daniel Alves foi condenado a 4 anos e meio de prisão por estupro, cometido na Espanha em dezembro de 2022. Ele já está preso há um ano e agora a condenação é oficial, após passar por todas as suas instâncias. No entanto, o pagamento de uma multa de cerca de 800 mil reais (150 mil euros), feita pela família de Neymar Jr., ajudaram a atenuar a pena. A vítima recorreu e pediu para que a pena fosse aumentada.

Apesar de Daniel Alves ter mudado a versão de seus depoimentos por 5 vezes, da vítima não ter seu nome relevado e dela ter negado receber dinheiro por indenização (algo que estava no seu direito), tentaram duvidar da sentença. O “influenciador” ‘Fui Clear’ afirmou que existe uma “indústria do golpe”, quando comentava sobre o caso, afirmando, sem base alguma, que não achava que Daniel tivesse cometido o crime.

Depois, o treinador Tite, que o convocou para a Copa do Mundo de 2022, um mês antes do crime ser cometido, se esquivou ao ser perguntado sobre a condenação do ex-atleta. Posteriormente, ele leu uma nota em coletiva de imprensa se retratando. No meio do futebol masculino, houve um silêncio generalizado sobre o caso.

Foto: Alberto Estévez/Pool/AFP

O mesmo silêncio acontece com Robinho, que foi condenado por estupro na Itália, em 2017, pelo crime cometido em 2013. Como não há extradição entre Brasil e Itália, o ex-jogador segue no país, tirando foto com outros jogadores, frequentando as praias da Baixada Santista, participando de jogos festivos e, inclusive, estando presente nos atos antidemocráticos a favor do ex-presidente Jair Bolsonaro, em janeiro de 2023.

No dia 25, apenas um dia depois da condenação de Daniel Alves, Robinho esteve no CT do Santos participando de um churrasco, junto com representantes do clube. Ele tirou fotos com jogadores, incluindo Pedrinho, processado por agressão doméstica, com prints públicos de ameaças.

Reprodução / Redes Sociais

Agora, no dia 4 de março de 2024, Cuca foi contratado pelo Athlético-PR. O treinador, que já treinou nove dos grandes clubes brasileiros, foi condenado por estupro de uma garota de 13 anos em 1987, na cidade de Berna, na Suíça.

Devido ao tempo que o processo ocorreu, ele foi prescrito. Após muita pressão popular, 36 anos depois, Cuca solicitou a reabertura do processo, que foi anulado pois, na ocasião, o ex-jogador e seus representantes não estiveram presentes durante o julgamento. A anulação não entrou no mérito do caso, portanto, Alexi Stival nunca foi inocentado. Seu esperma foi encontrado na criança e, apesar dele estar legalmente livre, este é mais um triste recado que o futebol transmite para a sociedade.

Com muita luta e reivindicações, as mulheres conquistam cada vez mais espaço no futebol e punições em casos como esses são cada vez mais cobrados pela sociedade. Porém constantemente o meio do futebol masculino descredibiliza as mulheres e ignora os casos de estupro e assédio sexual de pessoas do futebol.

A tudo isso se juntam atitudes que diariamente tentam diminuir as mulheres no futebol, na busca por estigmatizar o futebol feminino e os trabalhos de narradoras, comentaristas e árbitras. O caminho é longo e, mais uma vez, é necessário ser contra a contratação de Cuca por mais um clube brasileiro.