Ministro pediu apoio para candidatura do Brasil para uma vaga no Conselho dos Direitos Humanos da ONU

Ministro dos Direitos Humanos do Brasil Silvio Almeida. Violaine Martin/ONU

“O Brasil voltou de uma nova forma para um novo tempo”, disse o ministro dos Direitos Humanos e Cidadania, Silvio Almeida, durante a abertura da 52ª Sessão dos Conselho de Direitos Humanos da ONU, nessa segunda-feira (27). O ministro pediu apoio de outros países para que o Brasil possa ter uma vaga no Conselho, no mandato de 2023 a 2026.

“Tenho a certeza de que meu país e o mundo encontram-se em encruzilhada histórica. Sinto que é chegado o momento de sarar as feridas, transpor abismos e construir. É com esse sentimento que venho dizer que o Brasil voltou…”, afirmou o ministro.

Almeida encorajou os representantes dos países presentes no encontro para que reúnam forças para sair de uma “encruzilhada histórica”, visível por meio da ascenção do discurso de ódio nas redes sociais, conflitos bélicos e violência contra minoria étnicas e raciais, como os povos indígena

Para isso, Almeida propõe que o Conselho possa agir sob quatro principais eixos: a sobrevivência do planeta, a vida digna e decente, o direito ao desenvolvimento e contra o ódio.

“Temos plena consciência de que, mesmo trabalhando com todas as nossas capacidades, precisamos do mundo”, disse.

A queda do céu Yanomami

Líder indígena Davi Kopenawa. Foto: Victor Moryama/ISA

Em seu discurso, Almeida destacou a fala do líder Yanomami, David Kopenawa, sobre a ‘Queda do Céu’, que serve de alerta para nações do mundo que focam no lucro, no desenvolvimento a qualquer preço, sem se dar conta de que a preservação dos povos das florestas, dos rios, e da proteção do meio ambiente, são importantes para existência de vida no planeta.

“A primeira delas é a aliança pela sobrevivência. Lideranças Yanomami têm advertido que estamos diante ‘da queda do céu’. Saibamos ouvir esse chamado e redobrar nossos esforços por modos de vida que nos permitam viver em paz com nosso planeta”, disse.

A Queda do Céu: palavra de um xamã yanomami é um livro organizado pelo antropólogo francês Bruce Albert das falas gravadas líder yanomami Davi Kopenawa. Foi originalmente publicado em francês, em 2010, na coleção Terre Humaine. Logo em seguida, no ano de 2013, foi publicada em inglês, pela Harvard University Press.

A segunda aliança, disse Almeida, seria por uma vida decente e digna: “precisamos não só erradicar a pobreza, mas também promover a dignidade no trabalho e do lazer. Mesmo aqueles que se acham privilegiados vivem hoje inseguros e adoecidos por um modo de produzir e distribuir riquezas que não deixa vencedores”.

Para o ministro, a terceira aliança entre os países seria pelo direito ao desenvolvimento. “Os povos amefricanos [em referência aos povos da América e da África] e de todo o sul global precisam reinventar o direito ao desenvolvimento, para que este penetre definitivamente na gramática das lutas populares da periferia do capitalismo”.

“A quarta e última aliança é a aliança contra o ódio. Nossos países assistem perplexos à rápida propagação de discursos de ódio baseados no racismo, na xenofobia, no sexismo da LGBTfobia. A extrema direita e o fascismo crescem e articulam-se por meio de redes que não conhecem fronteiras. É nossa missão fazer com que o amor, a solidariedade e a paz também não conheçam fronteiras”.

Marielle Franco

O ministro afirmou que o Brasil trabalha para esclarecer o assassinato da vereadora Marielle Franco. Ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania também disse ter encontrado “quadro escandaloso de desmonte, negligência e crueldade” quando assumiu o cargo.

“Lutaremos para que o brutal assassinato de uma promissora política brasileira, mulher negra e corajosa defensora dos direitos humanos, Marielle Franco, não fique impune e grave, na memória e no espírito da nossa sociedade, a dignidade da luta por justiça“, afirmou o ministro, em discurso.

Silvio Almeida finalizou o discurso reforçando o pedido de apoio à candidatura brasileira a uma vaga no conselho de Direitos Humanos para o mandato de 2024 a 2026. “Peço apoio dos países aqui presentes para que possamos contribuir de maneira renovada com a promoção dos Direitos Humanos em todos os lugares e para todos os povos”.

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