Foto: Conselho da União Europeia

Por Nicole Grell Macias Dalmiglio

Em um artigo veiculado pela revista Context no dia 02 de dezembro de 2023, as ativistas e líderes indígenas Brianna Fruean, Hilda Flavia Nakabuye e Txai Suruí chamam atenção para a participação de mulheres na COP 28. Ao adentrarmos as mesas e debates da COP 28, a ausência de mulheres entre os chefes de Estado é evidente, tornando-se uma lacuna notória na busca por soluções às alterações climáticas. A fotografia que emergiu, apelidada de “a foto da família”, expõe um desequilíbrio visual que transcende o estético, ecoando a escassez de lideranças femininas em posições cruciais.

A crítica à disparidade de gênero nas discussões climáticas ganha relevância ao confrontarmos a realidade de que apenas 15 das 140 vozes programadas para discursos na Cimeira Mundial sobre Ação Climática eram femininas, pouco mais de 10%. Embora haja uma leve melhoria na composição de delegações, com 38% de mulheres na COP 28, a continuidade da disparidade sublinha a necessidade premente de mudanças estruturais.

A ausência de mulheres na narrativa visual e nas salas plenárias da COP 28 suscita dúvidas sobre se as diversas vozes femininas estão sendo verdadeiramente ouvidas e integradas nas políticas climáticas.

Mulheres fortes nos debates: um raio de esperança na luta climática

Enquanto a “foto da família” inicial na COP28 ressaltava a escassez de mulheres, a dinâmica dos debates aponta para uma participação mais ativa e influente. A presença de figuras como Dilma Rousseff e Hilary Clinton nas mesas que ocorreram no dia 04 de dezembro de 2023 adiciona uma complexidade valiosa à narrativa, destacando a dualidade entre desafios persistentes e avanços notáveis.

Dilma Rousseff trouxe à tona a necessidade de financiamentos inclusivos, reconhecendo as abordagens distintas necessárias para os países do Sul Global. Sua presença ressalta como as mulheres estão ativamente contribuindo para moldar estratégias financeiras mais equitativas diante das mudanças climáticas.

Por sua vez, Hilary Clinton liderou a mesa “Mulheres Construindo um Mundo Resiliente ao Clima”, evidenciando o papel vital das mulheres na resposta às crises climáticas. Essa iniciativa não apenas destaca as mulheres, mas também sublinha a importância de suas perspectivas na construção de um futuro mais resiliente e sustentável.

Da inclusão à liderança: o papel vital das mulheres na justiça climática

Para alcançar um progresso significativo, precisamos de mais do que apenas falar da igualdade de gênero. É a hora de os líderes reconhecerem que as mulheres não são apenas partes interessadas na luta contra as alterações climáticas – são líderes, inovadoras e impulsionadoras de mudanças transformadoras.

A ausência de mulheres na COP 28 não é apenas um descuido visual; reflete uma questão sistêmica que necessita de atenção urgente.

*Pesquisadora do Center for Artificial Intelligence (C4AI-USP). Mestre em Gestão de Políticas Públicas pela USP (2023). Bacharel em Relações Internacionais pela UNISANTOS (2020).