Maria Nice Machado é liderança quilombola no Maranhão (Júlia Margalho)

 

Por Francisco Costa, para a cobertura colaborativa X Fospa

Um dos principais cartões-postais de Belém-PA, a Estação das Docas, foi o local de concentração da Marcha de Abertura do X Fórum Social Pan-Amazônico, nesta quinta-feira (28). Cerca de 12 mil pessoas seguiram em caminhada pela avenida Presidente Vargas, no Centro da cidade.

Entre elas, estavam lideranças de grande relevância nas trincheiras da Amazônia, que lutam pela autonomia de seus corpos e de seus territórios.

Listamos cinco mulheres que representam comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas, dentre outras, que você precisa conhecer. Além de representar a diversidade do grande território amazônico, estão ligadas pelo objetivo de manter a Amazônia viva. Uma Amazônia livre de mineração, do desmatamento e de queimadas! À nossa reportagem, falaram sobre a importância do Fospa.

1 – Maria Nice Machado

Esta mulher quilombola pertencente ao quilombo Bairro Novo, em Penalva (MA), perdeu dois filhos na luta em defesa do território. Eles foram assassinados. Hoje, lidera uma das associações quilombolas de seu território. Preparada para marcha, disse que não poderia faltar ao Fospa. “O evento é de grande importância para nos unirmos em luta contra os desmontes ambientais que a Amazônia vem sofrendo, acredito que este fórum representa este espaço geográfico, pois somos o povo e somos o espaço. Por isto estamos reunidos para apresentar nossa forma de transformar e salvar este espaço”

2 – Mamo Nangetú

(Júlia Margalho)

Mano é uma das lideranças de religião de matriz africana na Amazônia, particularmente, em Belém (PA) e e membro fundadora do Comitê inter-religioso do estado. Logo, sua luta se materializa em diversos espaços por diversidade religiosa no Brasil. “Para nós filhos de terreiro o Fospa representa a esperança de que o mundo é a Amazônia, e que os direitos humanos sejam respeitados, pois vemos o povo em busca da cultura da paz, da diversidade religiosa”.

3 – Auricelia Arapiun

(Júlia Margalho)

Atual coordenadora do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns, Auricelia é uma mulher de uma grande representatividade dentro do cenário nacional no âmbito indígena. Ela é uma das brasileiras que esteve no Tribunal dos Povos, em maio deste ano, em São Paulo. Ela é incansável em denunciar as ameaças e conflitos que são vítimas os povos indígenas do Baixo Tapajós. “O Fospa é uma oportunidade de discussão e junção de forças e resistência em defesa da Amazônia, dos territórios e dos rios, logo fico feliz em ver a diversidade que este espaço detém”

4 – Vivi Reis

(Júlia Margalho)

Deputada federal pelo Psol (PA), Vivi é detentora de uma longa história em movimentos sociais e estudantis. Atuando na coletividade, foi responsável pela criação do movimento estudantil Juntos e Juntas e se engajou ainda nas lutas junto aos povos do Xingu contra a hidrelétrica Belo Monte. Para ela, o Fospa é essencial diante do atual contexto política, de ameaça as direitos humanos. “Estamos vivendo ’em desgoverno’. É importante continuar construindo. Devemos lutar e honrar importantes expressões da luta ambientalista e dos direitos humanos no Brasil, como Chico Mendes, Irmã Dorothy, Dom e Phillips. Logo, este evento é o local para estreitamos relações com outras lutas e a partir desta perspectiva, criar diversos modelos para continuamos firmes, pois a Amazônia preservada salvará o mundo”.

5 – Sileuda

(Júlia)

Ela é presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Mojui dos Campos. Tem ampla trajetória nas lutas sociais em defesa dos povos agroextrativista e das comunidades ribeirinhas do lago do Curua-Una, para ela o X FOSPA representa uma oportunidade de construir estratégias para lutar superar o governo atual. “É o momento de denunciarmos tudo o que vem acontecendo dentro de nossos território. Como estamos abandonados pelo governo brasileiro, precisamos bradar alto e estimular o apoio estrangeiro. E não sucumbiremos, porque o amazônida já nasce lutando”.