Parlamentares do PT também entraram com representação para que o general Augusto Heleno preste esclarecimento sobre a transgressão disciplinar de seu subordinado

Militar afirmou que Lula não tomará posse em 1º de janeiro. Foto: Reprodução

O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) contra o militar da marinha que coordena atos antidemocráticos em frente a quartéis das Forças Armadas. O jornal Folha de S. Paulo mostrou que além das mensagens e vídeos enviados aos grupos de bolsonaristas, Ronaldo Ribeiro Travassos também afirma que Lula não vai tomar posse em 1º de janeiro e incita o assassinato de petistas.

O militar está lotado no GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência da República, chefiado pelo general Augusto Heleno.

Heleno também pode ser convocado para prestar esclarecimentos sobre a transgressão disciplinar do primeiro-sargento da Marinha Ronaldo Ribeiro Travassos, lotado no GSI, conforme requerimento protocolado nesta terça-feira (29) pelo líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Reginaldo Lopes (MG), e os deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Paulão (PT-AL), Henrique Fontana (PT-RS) e Rogério Correia (PT-MG).

A presidente nacional do PT e deputada federal, Gleisi Hoffmann (PT-PR), cobrou o afastamento e punição de militares golpistas. “Até quando GSI e Forças Armadas se calarão?”

Notícia-crime

A representação dos parlamentares do PT pedem para que as condutas de Travassos sejam “incluídas nas investigações” dos inquéritos sobre organizações criminosas. O documento fala em crimes de ameaça contra o presidente eleito, incitação e apologia à prática de crime contra o resultado eleitoral, além de incentivo a práticas de atos inconstitucionais.

A representação ainda alega que o militar “tem utilizado o horário de trabalho, quando deveria estar servindo ao Estado brasileiro” para “participar, incentivar e ameaçar” Lula, seus apoiadores e a democracia “numa prática permanente de crime contra as instituições democráticas”. Os parlamentares também alegam que as ações do militar são graves e precisam ser “precocemente reprimidas”.

“São ações graves que precisam ser precocemente reprimidas pelos instrumentos legais e constitucionais à disposição da sociedade brasileira, de modo que a ordem prevaleça e o ódio capitule, como deve ocorrer numa sociedade democrática e pluralista”, diz a representação do PT contra o militar da Marinha.

Paulo Teixeira ressalta que por ser militar da ativa, Travassos não pode participar de manifestações político-partidárias, e que o Estatuto dos Militares veda “quaisquer manifestações coletivas, tanto sobre atos de superiores quanto as de caráter reivindicatório ou político”.

O GSI informou por meio de nota que não é sua competência “autorizar servidores para que participem de qualquer tipo de manifestação”. Sem condenar a ação, disse também que “as supostas declarações demandadas são de responsabilidade do autor em atividade pessoal fora do expediente”.

Ainda conforme mostrou a Folha, Travassos é primeiro-sargento da Marinha e trabalha na divisão administrativa do GSI. O militar está lotado no Palácio do Planalto desde o final de 2016, quando Michel Temer (MDB) era presidente.

Com informações do UOL

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