O cenário não é dos melhores, ainda mais para especialistas em aglomerações: os artistas. Com shows cancelados e o isolamento social como medida de prevenção contra o vírus que nos atinge, novos formatos estão sendo apresentados e plataformas testadas para levar música, arte e cultura para dentro de casa. De artistas independentes aos grandes nomes da música mundial, geral está apresentando live shows que reúnem milhões de espectadores.

E já temos o nosso primeiro clipe de quarentena.

Inspirados pelo poema do carioca Castello Branco, a banda latina-brasileira francisco, el hombre se uniu à cantora paraense Luê e mais de 30 artistas em um clipe feito de casa para casa.

A produção ficou pronta em uma semana e conta com a participação de Dona Onete, Tuyo,  Mundo Livre S/A, Hot e Oreia, Josyara, Drik Barbosa, Aíla, Preta Ferreira, Malfeitona, Gretchen & Família, BRAZA, Pedro Lobo, Vitor Izenzee, Tchelo Gomez, Bia Paiva, Hotelo, Marisa Bezerra, Monica Tereza Benicio, Fred 04, Rizzih, Keila, Carol Navarro, Indy Naise, Nina, Petterson Farias, Samuca, Neto, Jesus Luhcas, Benziê, Napkin, Throes + The Shine e Alice Carvalho.

O som faz parte do desafio da francisco de lançar um EP de Cúmbia até o final de abril. A banda estava prestes a sair em turnê internacional passando por Estados Unidos, Europa e América Latina, incluindo a agenda no LollaPalooza. Com a realidade imposta pelo novo vírus, bateu forte a necessidade de colocar em prática o que já vinham aprendendo. Há algum tempo Juliana, Gomes, Sebastian, Mateo e Andrei produziam na estrada e ensaiavam para compor e gravar apesar das distâncias, acelerando o ritmo de lançamentos. Pensando a banda além dos palcos e levando suas obras a novos públicos.

“Por um lado nos quebrou bastante as pernas, a gente vive de show. Mas a gente tava procurando maneiras de chegar mais longe, produzir mais músicas e álbuns por ano. Essa situação nos levou a pensar nisso agora, como desde já podemos aumentar nosso alcance virtual.”

Conta o vocalista e guitarrista.

O momento é também a oportunidade da francisco de se reinventar, como já é sua marca característica. Em conversa com Mateo, o músico comentou sobre o último álbum RASGACABEZA, uma fase mais quente, “que fala mais sobre fogo, queimar, botar pra fora, um expurgo”, em suas próprias palavras. O novo mood é mais feliz e propõe coisas bonitas, retomando aquela vibe mais “La Pachanga!”.

“A maior saudade que a gente tem é tocar, se ver, viajar todo final de semana. Tocando, conhecendo gente, fazendo roda, abraçando o público, suando tudo que a gente pode suar. Estamos sentindo muita falta.”

Complementa Mateo.

Enquanto ainda não podemos sentir o calor da rua, não perdemos por esperar as novas canções dessa banda que, como descreve o mexicano naturalizado no Brasil, é hiperativa e não consegue parar quieta. Até o fim do mês conheceremos as faixas que estão sendo produzidas durante a quarentena.

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Felipe Qualquer

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