Projeto feminista reúne mulheres negras para celebrar o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e comemorar dupla moção honrosa à Barbara Santos, fundadora do Teatro das Oprimidas

Barbara Santos é fundadora do Teatro das Oprimidas. Foto: Divulgação

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, o projeto Teatro das Oprimidas realiza na sexta-feira (29) e sábado (30) a 2ª edição do “Julho Negra”, evento que reúne artistas, personalidades e influenciadoras negras para visibilizar a vivência, a resistência e a potência do ativismo criativo das mulheres negras.

A primeira atividade acontece na Câmara Municipal de Niterói a sexta-feira, das 17h às 20h, com a cerimônia de entrega da moção honrosa à criadora do Teatro das Oprimidas, Bárbara Santos, e outras personalidades negras que contribuíram para pautas raciais, além de performances teatrais do Centro de Teatro do Oprimido (CTO).

O “Julho Negra” segue no dia seguinte com cortejo musical, exposição de artesanato, galeria de fotos e vídeos, performance, peça de teatro e roda de conversa com Renata Souza, Fabbi Silva e Juliane Monteiro de Barros em Duque de Caxias. Ainda no sábado, na sede do Espaço Cultural Lira de Ouro, a ALERJ vai conceder uma homenagem às mulheres da MALOCA e uma moção honrosa a Bárbara Santos, também lembrada pela indicação como Melhor Atriz Coadjuvante no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro pelo filme “A Vida Invisível”.

As homenagens por sua trajetória e legado estão sendo concedidas pelo vereador Leonardo Giordano (Niterói) e a Deputada Estadual Renata Souza (Rio de Janeiro).

“Recebo a homenagem numa alegria exuberante pela demonstração de afeto e cuidado, porque ela representa o reconhecimento por mais de 30 anos de trabalho comprometido com a superação da opressão por meio da arte. Isso mostra que o caminho percorrido até aqui fez sentido, e renova a energia e a crença de que vale a pena seguir adiante”, pontua Bárbara.

A instituição MALOCA, de Duque de Caxias, receberá a homenagem pelo movimento alternativo libertário, organizado em prol da cidadania e fundado em 7 de março de 2018. O projeto cria com as mulheres do Morro do Sossego e adjacências uma rede de apoio social que estimula o conhecimento, a arte, a geração de renda e autonomia, a fim de favorecer a saúde mental e o exercício da cidadania das mulheres.

As ações acontecem por meio da parceria do CTO com o patrocínio da Petrobras e da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

Peça “ATÉ QUANDO?”

Foto: Divulgação

Expondo o debate sobre as violências de gênero, machista e patriarcal que permeiam o cotidiano das mulheres nos espaços públicos, privados e institucionais, gerando traumas físicos, emocionais e o feminicídio, a peça “Até Quando?”, dirigida pelas curingas Carol Netto e Rachel Nascimento, chama a sociedade à reflexão e ação.

O espetáculo tem colaboração da coordenadora artística do projeto Teatro das Oprimidas, Bárbara Santos, e da coordenadora pedagógica Claudia Simone. “Esta data constitui uma estratégia política, que busca, por um lado, denunciar as tentativas de nos inviabilizar e, por outro lado, celebrar a importância e a potência de nossas existências”, resume Bárbara.

O elenco é composto por mulheres voluntárias e atendidas pela instituição Maloca: Juliane Monteiro, Lidia Monteiro, Luciana Alves, Cassia Santos, Karol Tavares, Paula Silania, Selma Silva, Tatiane de Barros, Maria do Socorro, Lorena Vitoria, Carine Nicolau, Renata Michele.

Sobre Bárbara Santos

Bárbara Santos é a primeira mulher negra a teorizar sobre o Teatro do Oprimido. Socióloga, já atuou como professora na Rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro durante 15 anos. Trabalhou por duas décadas com Augusto Boal como coordenadora do Centro de Teatro do Oprimido, possui 29 anos de experiência ininterrupta com o método no Brasil e em outros 40 países nos cinco continentes. Integrante da ITI Alemanha (International Theatre Institute of UNESCO) desde 2014, em Berlim, onde mora atualmente, Bárbara é diretora artística de KURINGA; do grupo Madalena – Berlim e do Together International Theatre Company.

No Rio de Janeiro, é diretora artística do Coletivo Madalena Anastácia e colaboradora artística do Grupo Cor do Brasil. Criadora e difusora do Teatro das Oprimidas, é diretora artística da Rede Ma(g)dalena Internacional, composta por inúmeros grupos de artivistas feministas de diversas partes do mundo, bem como autora dos livros “Teatro do Oprimido – Raízes e Asas: uma teoria da práxis”; “Percursos Estéticos: imagem, som, ritmo, palavra – abordagens originais sobre Teatro do Oprimido” e o recente “Teatro das Oprimidas: Estéticas feministas para poéticas políticas”.

PROGRAMAÇÃO JULHO NEGRA:

QUANDO: 30 de julho
HORÁRIO: 15h às 19h
LOCAL: Lira de Ouro – Rua José Veríssimo, 72 – Duque de Caxias, RJ

15h – Cortejo com Grupo Ponto Chic
15h30 – Exposição de artesanatos da MALOCA
16h – Exposição visual (fotos e vídeos)
16h30 – Performance artística do Grupo Ponto Chic
17h – Peça de Teatro-Fórum “Até Quando?”, do núcleo Maloca de Teatro das Oprimidas
17h40 – Roda de conversa “Mulheres, Direitos, Vida e Cidade” com Fabbi Silva (Casa fluminense), Renata Souza (ALERJ) e Juliane Monteiro e Barros (Maloca)
18h30 – Entrega da moção honrosa à Maloca e Bárbara Santos com uma performance do Coletivo Madalena Anastácia

Sobre o Teatro Das Oprimidas

Foto: Divulgação

O projeto Teatro das Oprimidas tem como objetivo geral fortalecer os Grupos Teatrais Populares de TO (Teatro do Oprimido e Teatro das Oprimidas), ampliando seus raios de atuação, realizando oficinas de TO para estimular multiplicadoras/res e cenas que mobilizem alternativas transformadoras para a juventude, em espaços populares e institucionais com a metodologia da Estética, do Teatro do Oprimido e do Teatro das Oprimidas.

As ações serão distribuídas em municípios da Região Metropolitana, como Duque de Caxias, em comunidades e bairros no entorno da REDUC (Refinaria Duque de Caxias); São Gonçalo e Itaboraí, cidades situadas na área da COMPERJ (Complexo Petroquímico do RJ) e que também fazem parte da APA (Área de Proteção Ambiental de Guapimirim); Niterói; Nova Iguaçu; 6º Maricá; e também no interior do estado, na cidade de Macaé (Região da Bacia de Campos); além do município onde localiza-se a sede do CTO, o Rio de Janeiro.

Sobre o Centro de Teatro do Oprimido

Centro de pesquisa e difusão que desenvolve a metodologia do Teatro do Oprimido em Laboratórios e Seminários de Dramaturgia, ambos de caráter permanente, para revisão, experimentação, análise e sistematização de exercícios, jogos e técnicas teatrais.

O CTO foi dirigido por Augusto Boal ao longo de seus últimos 23 anos de vida e, hoje, sua equipe dá prosseguimento ao trabalho. A filosofia e as ações da instituição visam à democratização dos meios de produção cultural, como forma de expansão intelectual de seus participantes, além da propagação do Teatro do Oprimido e do Teatro das Oprimidas como meio da ativação e do democrático fortalecimento da cidadania.

O CTO implementa projetos que estimulam a participação ativa e protagônica das camadas oprimidas da sociedade, e visam a transformação da realidade a partir do diálogo e de meios estéticos.