De acordo com as investigações, um grupo associado a Bolsonaro inseriu informações falsas de vacinação no sistema ConecteSUS para obter vantagens indevidas

Bolsonaro recebendo informação do tenente-coronel Mauro César Barbosa Cid. Foto: Reprodução/YouTube

A Polícia Federal indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 16 pessoas em uma investigação sobre o esquema de falsificação de vacinas contra a Covid-19. A operação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes em maio de 2023, foi parte do inquérito das milícias digitais.

De acordo com as investigações, um grupo associado a Bolsonaro inseriu informações falsas de vacinação no sistema ConecteSUS para obter vantagens indevidas. Esses dados foram posteriormente removidos do sistema. A fraude ocorreu pouco antes da viagem de Bolsonaro aos Estados Unidos, em dezembro de 2022, quando o país exigia comprovação de vacinação para estrangeiros.

Entre os indiciados estão o próprio Bolsonaro, o coronel do Exército Mauro César Barbosa Cid, Gabriela Santiago Cid (esposa de Mauro Cid), o deputado federal Gutemberg Reis de Oliveira, e outros envolvidos, incluindo militares e funcionários públicos.

Dados forjados

Segundo a PF, foram forjados dados de vacinação para pelo menos sete pessoas, incluindo Bolsonaro, sua filha de 12 anos, na época, e membros do círculo próximo do ex-presidente. Além disso, vacinas falsas da Pfizer foram inseridas nos registros de Bolsonaro e de dois militares que o assessoravam, Max Guilherme Machado de Moura e Sergio Rocha Cordeiro.

A fraude teria sido realizada por João Carlos de Sousa Brecha, então secretário de Governo de Duque de Caxias (RJ). O esquema envolveu também a inserção de uma dose da vacina Janssen supostamente aplicada em São Paulo no cartão de vacinação de Bolsonaro.

A defesa de Bolsonaro alega que, como chefe de Estado, ele não precisaria de comprovante de vacinação para entrar nos EUA. Entretanto, como ex-presidente, estaria sujeito às mesmas regras, inclusive para voos domésticos nos EUA.

Confira a relação completa dos indiciados:

    • Jair Messias Bolsonaro, ex-presidente da República;
    • Mauro Barbosa Cid, coronel do Exército e ex-ajudante de ordens da Presidência da República;
    • Gabriela Santiago Cid, esposa da Mauro Cid;
    • Gutemberg Reis de Oliveira, deputado federal (MDB-RJ);
    • Luis Marcos dos Reis, sargento do Exército que integrava a equipe de Mauro Cid;
    • Farley Vinicius Alcântara, médico que teria emitido cartão falso de vacina para a família de Cid;
    • Eduardo Crespo Alves, militar;
    • Paulo Sérgio da Costa Ferreira
    • Ailton Gonçalves Barros, ex-major do Exército;
    • Marcelo Fernandes Holanda;
    • Camila Paulino Alves Soares, enfermeira da prefeitura de Duque de Caxias;
    • João Carlos de Sousa Brecha, então secretário de Governo de Duque de Caxias;
    • Marcelo Costa Câmara, assessor especial de Bolsonaro;
    • Max Guilherme Machado de Moura, assessor e segurança de Bolsonaro;
    • Sergio Rocha Cordeiro, assessor e segurança de Bolsonaro;
    • Cláudia Helena Acosta Rodrigues da Silva, servidora de Duque de Caxias;
    • Célia Serrano da Silva.

*Com informações do G1